Percepção dos profissionais de saúde e gestores sobre a atenção em hanseníase na Estratégia Saúde da Família

Odete Andrade Girão Neta, Gisele Maria Melo Soares Arruda, Mariza Maria Barbosa de Carvalho, Raimunda Rosilene Magalhães Gadelha

Resumo


Objetivo: Conhecer a percepção dos profissionais de saúde e gestores sobre a atenção em hanseníase na Estratégia Saúde da Família. Métodos: Pesquisa de abordagem qualitativa realizada a partir de entrevistas semiestruturadas, no período de julho a agosto de 2016, junto aos profissionais de nível superior que atuam nas equipes de referência em Saúde da Família e Núcleo de apoio à Saúde da Família (NASF), assim como seus respectivos coordenadores na cidade de Morada Nova, Ceará, Brasil. O corpus de dados sofreu análise de conteúdo. Resultados: Evidenciou-se que a atenção em hanseníase no município é realizada de maneira centralizada sob a responsabilidade de um único profissional especialista e sem participação efetiva da Estratégia Saúde da Família (ESF). A colaboração interprofissional não se efetiva e não existem espaços formais para diálogo e discussão de caso entre a equipe. Os principais desafios relatados pelos entrevistados foram com relação à centralização do serviço, à adesão dos usuários às atividades de prevenção e tratamento desenvolvidas, e à falta de apoio da gestão municipal. Conclusão: Identificou-se que esse modo de organização da atenção em hanseníase impacta em vários aspectos do processo de trabalho e cuidado, influenciando de maneira negativa a prevenção, a vigilância e o acompanhamento em hanseníase no município, bem como favorecendo o modelo biomédico hegemônico e mantendo a crítica situação epidemiológica da região. Sugere-se que estudos futuros correlacionem o modo de organização do cuidado em hanseníase na ESF com a situação epidemiológica dos territórios, subsidiando mudanças assistenciais.

Palavras-chave


Hanseníase; Atenção Primária à Saúde; Serviços de Saúde.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Zanardo TS, Santos SM, Oliveira VCC, Mota RM, Mendonça BOM, Nogueira DS. Perfil epidemiológico dos pacientes com hanseníase na atenção básica de saúde de São Luis de Montes Belos, no período de 2008 a 2014. Rev Faculdade Montes Belos. 2016;9(2):78-141.

Ministério da Saúde (BR), DATASUS/SAGE. Situação de saúde, indicadores de morbidade, hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.

Ministério da Saúde (BR), DATASUS/SINANTE. TabNet: Hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.

Governo do Estado do Ceará (BR), Secretaria da Saúde. Aspectos Epidemiológicos. Boletim epidemiológico hanseníase; 2016 Jan 27 [acesso em 2017 mar 20]. Disponível em: http://www.saude.ce.gov.br/index.php/boletins?download=

Savassi LCM, Modena CM. Hanseníase e a atenção primária: desafios educacionais e assistenciais na perspectiva de médicos residentes. Hansen Int. 2015;40(2):2-16.

­Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 3125, de 7 de ou­tubro de 2010. Aprova as Diretrizes para Vigilância, Aten­ção e Controle da Hanseníase. Diário Oficial da União, Brasília, 2010.

Lanza FM, Vieira NF, Oliveira MMC, Lana FCF. Avaliação das ações de hanseníase desenvolvidas na atenção primária: proposta de um instrumento para gestores. REME Rev Min Enferm. 2014;18(3):598-605.

Moreira ESM, Barbosa NB. Fisioterapia na atenção primária em saúde- o processo de implantação dos NASF em Anápolis- Goiás. RESU. 2016;4(1):26-34.

Queirós MI, Alencar CHM, Sena AL, Ramos Junior AN, Monteiro LD, Barbosa JC. Clinical and epidemiological profile of leprosy patients attended at Ceará, 2007-2011. An Bras Dermatol. 2016;91(3):311-7.

Brito AL, Monteiro LD, Ramos AN Junior, Heukelbach J, Alencar CHM. Tendência temporal da hanseníase em uma capital do Nordeste do Brasil: epidemiologia e análise por pontos de inflexão, 2001 a 2012. Rev Bras Epidemiol. 2016;19(1):194-204.

Matuda CG, Aguiar DML, Frazão P. Cooperação interprofissional e a Reforma Sanitária no Brasil: implicações para o modelo de atenção à saúde. Saúde Soc. 2013;22(1):173-86.

Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec; 2010.

Costa EMA, Carbone MH. Saúde da Família: uma abordagem multidisciplinar. 2. ed. Rio de Janeiro: Rubio; 2009.

Fontanella BJB, Luchesi BM, Saidel MGB, Ricas J, Turato ER, Melo DG. Amostragem em pesquisas qualitativas: proposta de procedimentos para constatar saturação teórica. Cad Saúde Pública. 2011;27(2):389-94.

Conselho Nacional de Saúde (BR) Resolução CNS nº 44 de dezembro de 2012. Brasília: Conselho Nacional de Saúde; 2012.

Mattos LB, Dahmer A, Magalhães CR. Contribuição do curso de especialização em Atenção Primária à Saúde à prática de profissionais da saúde. ABCS Health Sci. 2015;40(3):184-9.

Conselho Nacional de Secretários de Saúde (BR). Progestores. Nota técnica, 23/2013. Programa mais médicos. Atualizada em 22/07/2013, após a publicação da Portaria Interministerial 1493 e Editais 40 e 41, em 18 de julho de 2013. Brasília; 2013.

Lima RTS, Fernandes TG, Balieiro AAS, Costa FS, Schramm JMA, Schweickardt JC , et al. A Atenção Básica no Brasil e o Programa Mais Médicos: uma análise de indicadores de produção. Ciênc Saúde Coletiva. 2016;21(9):2685-96.

Ministério da Saúde (BR), Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Eliminar a hanseníase é possível: um guia para os municípios, versão preliminar. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.

Bassanezel B, Gonçalves A, Padovani CR. Características do processo de diagnóstico de hanseníase no atendimento primário e secundário. Diagn Tratamento. 2014;19(2):61-7.

Santos DAS, Silva LCVG, Spessatto LB, Melo LS, Cruz LR Neto. Educando para o diagnóstico precoce da hanseníase no município de Rondonópolis- Mato Grosso. Rev Eletr Extensão.2016;13(23):45-61.

Lanza FM, Lana FCF. Descentralização das ações de controle da hanseníase na microrregião de Almenara, Minas Gerais. Rev Latinoam Enferm.2011;19(1):187-94.

Ministério da Saúde (BR), Departamento de Vigilância Epidemiológica Secretária de Vigilância em Saúde. Hanseníase e direitos humanos: direitos e deveres dos usuários do SUS. Brasília: Ministério da Saúde; 2008.

Lana FCF, Carvalho APM, Davi RFL. Perfil epidemiológico da hanseníase na microrregião de Araçuaí e sua relação com as ações de controle. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2011;15(1):62-7.

Aguiar PG, Almeida DA, Silva SDC, Paschoini J. Fatores de manutenção da endemia hansênica e as ações da enfermagem no controle da hanseníase. Libertas. 2014;4(1):119-32.

Campos GWS, Domitti AC. Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cad Saúde Pública. 2007;23(2):399-407.

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

Gonçalves RMA, Lancman S, Sznelwar LI, Cordone NG, Barros JO. Estudo do trabalho em Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), São Paulo, Brasil. Rev Bras Saúde Ocup. 2015;40(131):59-74.

Alencar ANA, Xavier SPL, Laurentino PAS, Lira PF, Nascimento VB, Carneiro N, Fonseca A. et al. Impacto do programa mais médicos na atenção básica de um município do sertão central nordestino. Rev Eletrônica Gestão Sociedade. 2016;10(26):1290-301.

Duarte MTC, Ayres JA, Simonetti JP. Consulta de enfermagem: estratégia de cuidado ao portador de hanseníase em atenção primária. Texto & Contexto Enferm. 2009;18(1):100-7.

Silveira MGB, Coelho AR, Rodrigues SM, Soares MM, Camillo GC. Portador de hanseníase: impacto psicológico do diagnóstico. Psicol Soc. 2014;26(2):517-27.

Canário DDRC, Silva SPC, Costa FM. Saberes e práticas de agentes comunitários de saúde acerca da hanseníase. Rev Enferm UFPE on line. 2014;8(1):1-7.

Lanza FM. Avaliação da atenção primária no controle da hanseníase: validação de instrumentos e análise do desempenho de municípios endêmicos do Estado de Minas Gerais [tese]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2014.

Grossi MAF. Vigilância da hanseníase no estado de Minas Gerais. Rev Bras Enferm. 2008;61(Esp): 781.

Penha AAG, Oliveira JL, Soares JL, Rufino NF, Rocha RPB, Viana MCA. Desafios na adesão ao tratamento da hanseníase segundo enfermeiros da atenção primária à saúde. Cad Cult Ciênc. 2015;14(2):75-82.

Lobo FS, Lima, IFS, Oliveira KLB. Pacto pela Saúde. In: Aguiar ZN. SUS: Sistema Único de Saúde – antecedentes, percurso, perspectivas e desafios. 2ª ed. São Paulo: Martinari; 2015. p. 99-116.

Alencar OM. Monitoramento e avaliação em Hanseníase: desafios e perspectivas para gestão de qualidade. In: Alves, ED, Ferreira, TL, Ferreira, IN. Hanseníase avanços e desafios. Brasília: Coronário Gráfica e Editora; 2014. p. 171-87.

Teasser CD, Sousa IMCS. Atenção primária, atenção psicossocial, práticas integrativas e complementares e suas afinidades eletivas. Saúde Soc. 2012;21(2):336-50.

Silva TR, Motta RF. A percepção dos usuários sobre a política de saúde na atenção básica. Mudanças. 2015;23(2):17-24.




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2017.p239

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia