Prevenção, risco e desejo: estudo acerca do não uso de preservativos

Francisco Jander de Sousa Nogueira, Andressa Kécia Menezes Saraiva, Maryane da Silva Ribeiro, Nayane Maciel de Freitas, Césario Rui Callou Filho, Caroline Antero Machado Mesquita

Resumo


Objetivo: Delinear as causas que levaram homens e mulheres a não fazerem uso do preservativo na última relação sexual com parceiros eventuais. Métodos: Trata-se de estudo documental, composto por 10.175 usuários atendidos em um Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA em uma capital do nordeste do Brasil. As variáveis são: estado civil, sexo e motivos de não se utilizar preservativos nas práticas sexuais. Os dados referem-se ao período retrospectivo de 2012 a 2014, coletados em 2015, nos quais, posteriormente, realizou-se tratamento, através da estatística descritiva, tabulando-os quantitativamente. Resultados: O motivo de não utilizar preservativo com último parceiro eventual teve um total de 1.372 ocorrências, distribuídas em: 984 (71,7%) na população masculina e 388 (28,2%) na feminina. O motivo que prevalece em relação ao não uso do preservativo é o “não gostar”, apresentando 442 (32,2%) ocorrências em ambos os sexos. O motivo com menor incidência é que o parceiro não aceita, com 81 (20,8%) casos e apenas no sexo feminino; 143 (23,3%) ocorrências foram encontradas apenas em homens solteiros, sob efeito de álcool e drogas. Conclusão: Os usuários do Centro de Testagem e Aconselhamento investigado apresentaram como motivo prevalente para o não uso de preservativos durante as relações sexuais o fato de “não gostar”, para ambos os sexos, visto que homens e mulheres, independentemente do estado civil, confirmaram não usar o preservativo com parceiro eventual.

Palavras-chave


Preservativos; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Sistema Único de Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.6224

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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