Risco ergonômico e condição de saúde funcional em bancários operadores de caixa

Marcos Lenon Matias, Willians Cassiano Longen

Resumo


Objetivo: Avaliar o risco ergonômico e a saúde funcional de bancários operadores de caixa. Métodos: Estudo quantitativo e transversal cuja coleta de dados ocorreu nos meses de setembro e outubro de 2015, numa sala reservada na própria agência bancária. Constituiu-se da aplicação do “Censo de Ergonomia”, juntamente com questionário com variáveis relacionadas a características da saúde, focado nos sistemas osteomuscular e características ocupacionais, sendo aplicado em caixas bancários de Criciúma e região. Na análise estatística, utilizou-se o programa SPSS, com dados simples expostos em frequência e, para as correlações, utilizou-se o teste Qui-Quadrado, com nível de confiança de 95%. Resultados: Participaram do estudo 85 trabalhadores ativos, dos quais 57 (67,1%) relataram presença de sintomas de dor/desconforto, sendo que os locais mais acometidos foram: ombro (44; 51,8%), cervical (38; 44,7%) e coluna dorso lombar (31; 36,5%). Não foi encontrada associação entre dor/desconforto e a prática de exercícios nem com o uso de medicamentos para trabalhar. Quanto à presença de inadequações ergonômicas, 43 (50,6%) relataram presença de inadequações organizacionais; 32 (37,7%), ambientais; e 23 (27,1%), físicas. Encontrou-se correlação entre dor no ombro e inadequação física no ambiente de trabalho (p=0,013), bem como com a organizacional (p=0,040); cervicalgia com inadequação organizacional (p=0,012), e coluna dorso lombar com inadequações do ambiente de trabalho (p=0,044). Conclusão: O percentual de caixas bancários com sintomatologia musculoesquelética mostrou-se elevado, caracterizando a atividade como de risco potencializado, especialmente pelas condições ergonômicas organizacionais de trabalho.

Palavras-chave


Transtornos Traumáticos Cumulativos; Trabalhadores; Ergonomia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.6481

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