Diversidade de gênero e acesso ao Sistema Único de Saúde

Breno de Oliveira Ferreira, José Ivo dos Santos Pedrosa, Elaine Ferreira do Nascimento

Resumo


Objetivo: Apreender as dimensões do acesso e da atenção integral na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) na perspectiva da diversidade de gênero. Métodos: Pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, realizada em Unidades Básicas de Saúde vinculadas à rede de Atenção Básica, em Teresina, Piauí, Brasil, da qual participaram (n=19) lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Os dados foram coletados no ano de 2016, através de quatro grupos focais e por meio da questão norteadora “Como vocês gostariam de ver o acesso, a qualidade e o modo de organização das ações e serviços de saúde a serem ofertados para a população LGBT?”, e foram analisados por meio da análise de conteúdo. Resultados: Emergiram quatro categorias interpretativas, uma para cada grupo estudado: Atendimento ginecológico às lésbicas; O gay afeminado nos serviços de saúde; Em busca da equidade para as travestis; O nome social para as mulheres transexuais no SUS. As lésbicas informaram que enfrentam barreiras no acesso aos serviços de saúde e no atendimento ginecológico; para os gays, o acesso é fragilizado para aqueles afeminados; já para as travestis, a equidade do cuidado, através de ambulatórios específicos, foi apontada como estratégia importante; e, para as mulheres transexuais, o uso do nome social deveria ser incorporado na rotina dos serviços de saúde. Conclusão: Há uma emergência no acesso às redes de atenção à saúde integral da população LGBT, com o intuito de promover a inclusão em seus diversos equipamentos sociais, promulgar o respeito e facilitar práticas de equidade.

Palavras-chave


Minorias Sexuais; Acesso aos Serviços de Saúde; Assistência à Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.6726

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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