Relação bilateral entre excesso de peso e transtornos mentais

Marize Melo dos Santos, Fernando Ferraz do Nascimento, Sarah de Melo Rocha Cabral, Ellaine Santana de Oliveira, Renato Mendes dos Santos, Layonne de Sousa Carvalho

Resumo


Objetivo: Determinar a prevalência de excesso de peso em indivíduos com e sem transtornos mentais. Métodos: Estudo quantitativo, transversal e analítico, realizado com 167 voluntários adultos, de ambos os sexos, com ou sem transtornos mentais, e com idade superior a 18 anos, no período de outubro a dezembro de 2015. Os participantes foram recrutados no Centro de Atenção Psicossocial e em uma Unidade Básica de Saúde de Teresina, Piauí, Brasil. Utilizou-se formulário estruturado com variáveis sociodemográficas (idade, sexo, escolaridade, estado civil e renda) e antropométricas (peso e altura). O diagnóstico antropométrico foi realizado de acordo com índice de massa corporal, e o psiquiátrico conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID 10). A análise dos dados foi feita de forma descritiva, utilizando-se o teste Qui-Quadrado de Independência (ᵡ²) para avaliar associações. Para a análise de variância aplicou-se o teste ANOVA seguido do de Tukey, com 5% de significância. Resultados: Do total de participantes, 77,2% (n=129) tinham diagnóstico de transtornos mentais e 22,8% (n=38), não. O excesso de peso foi verificado em 73,1% (n=122) dos investigados, com maior prevalência na população psiquiátrica (89,4%, n=109). As médias de IMC entre os grupos mostraram diferenças significativas entre esquizofrênicos (­­= 31,62 kg/m2; p<0,01), depressivos (­­ = 31,23 kg/m2; p=0,04) e outros transtornos de humor (­­ = 31,09 kg/m2; p=0,01) quando comparados ao grupo sem transtornos mentais (­­=25,51 kg/m2). Conclusão: Evidencia-se a superioridade de excesso de peso na população psiquiátrica, especialmente em esquizofrênicos e depressivos, quando comparada à população sem transtornos mentais.

Palavras-chave


Sobrepeso; Obesidade; Transtornos Mentais; Saúde Pública.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Marie NG, Fleming T, Robinson M, Thomson B, Graetz N, Margono C, et al. Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2014;384(9945):766-81.

Zhao G, Ford ES, Li C, Tsai J, Dhingra S, Balluz LS. Waist circumference, abdominal obesity, and depression among overweight and obese U.S. adults: National Health and Nutrition Examination Survey 2005-2006. BMC Psychiatry. 2011;11:130.

Santos EG, Siqueira MM. Prevalência dos transtornos mentais na população adulta brasileira: uma revisão sistemática de 1997 a 2009. J Bras Psiquiatr. 2010;59(3):238-46.

Lin HY, Huang CK, Tai CM, Lin HY, Kao YH, Tsai CC, et al. Psychiatric disorders of patients seeking obesity treatment. BMC Psychiatry 2013;13(1):1-8.

Paffer AT, Ferreira HS, Cabral J, Cyro R, Miranda CT. Prevalence of common mental disorders in mothers in the semiarid region of Alagoas and its relationship with nutritional status. Sao Paulo Med J. 2012;130(2):84-91.

Fowler-Brown AG, Ngo LH, Wee CC. The relationship between symptoms of depression and body weight in younger adults. Obesity. 2012;20(9):1922-8.

Silva TM, Aguiar OB, Fonseca MJM. Associação entre sobrepeso, obesidade e transtornos mentais comuns em nutricionistas. J Bras Psiquiatr. 2015;64(1):24-31.

De Sordi LP, Bigatto KRS, Santos SG, Machado AL. Comorbidades em usuários de um serviço de saúde mental. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental 2015;(esp2):89-94.

Gomes FA. Comorbidades clínicas em psiquiatria. São Paulo: Atheneu; 2012.

Thompson SK. Sampling. New York: John Wiley; 1992.

Duarte ACG. Avaliação nutricional: aspectos clínicos e laboratoriais. São Paulo: Atheneu; 2007.

World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic – Report of a WHO consultation on obesity. Geneva: WHO; 1998.

Organização Mundial da Saúde. CID-10: classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. 10ªeE CORREIA, M.G.S.sm se mostrado matperiizaça alimentaçRA, R.S.; NASCIMENTO, R.M.S.; CORREIA, M.G.S. rev. São Paulo: Universidade de São Paulo; 1997.

Ministério da Saúde (BR), Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Brasília: Ministérios da Saúde; 2012.

Miranda CA, Tarasconi CV, Scortegagna SA. Estudo epidêmico dos transtornos mentais. Aval Psicol. 2008;7(2):249-57.

Adamoli A, Azevedo MR. Padrões de atividade física de pessoas com transtornos mentais e de comportamento. Ciênc Saúde Colet. 2009;14(1):243-51.

Kaspper LS, Schermann LB. Prevalência de transtornos mentais comuns e fatores associados em usuárias de um Centro de Referência de Assistência Social de Canoas/RS. Aletheia. 2014;(45):168-76.

Lucchese R, Sousa K, Bonfin SP, Vera I, Santana FR. Prevalência de transtorno mental comum na atenção primária. Acta Paul Enferm. 2014;27(3):200-7.

Vasconcelos-Rocha S, Almeida MMG, Araújo TM, Rodrigues WKM, Santos LB, Virtuoso-Júnior JS. Prevalência de desórdenes mentales comunes en individuos de tercera edad, residentes en un municipio del Noreste de Brasil. Rev Salud Pública 2012;14(4):620-9.

Martín-López R, Pérez-Farinós N, Hernández-Barrera V, Andres AL, Carrasco-Garrido P, Jiménez-García R. The association between excess weight and self-rated health and psychological distress in women in Spain. Public Health Nutr. 2011;14(7):1259-65.

Davidson S, Judd F, Jolley D, Hocking B, Thompson S, Hyland B. Cardiovascular risk factors for people with mental illness. Aust N Z J Psychiatry. 2001;35(2):196-202.

Gladigau EL, Fazio TN, Hannam JP, Dawson LM, Jones SG. Increased cardiovascular risk in patients with severe mental illness. Intern Med J. 2014;44(1):65-9.

Melca IA, Fortes S. Obesidade e transtornos mentais: construindo um cuidado efetivo. Revista HUPE. 2014;13(1):18-25.

Leitão-Azevedo CL, Guimarães LR, Lobato MI, Belmonte-de-Abreu P. Ganho de peso e alterações metabólicas em esquizofrenia. Rev Psiquiatr Clín (São Paulo). 2007;34(Supl 2):184-8.

Teixeira PJR, Rocha FP. Efeitos adversos metabólicos de antipsicóticos e estabilizadores de humor. Rev Psiquiatr Rio Gd Sul. 2006;28(2):186-96.

Lasic D, Bevanda M, Bošnjak N, Uglešić B, Glavina T, Franić T. Metabolic syndrome and inflammation markers in patients with schizophrenia and recurrent depressive disorder. Psychiatr Danub. 2014;26(3):214-9.

Nunes D, Eskinazib B, Rockettb FC, Delgadod VB, Perry IDS. Estado nutricional, ingesta alimentaria y riesgo de enfermedad cardiovascular en individuos con esquizofrenia en el sur de Brasil: estudio de casos-controles. Rev Psiquiatr Salud Ment (Barc). 2014;7(2):72-9.

Carvalho JC, Freitas PP, Leuschner A. O doente com esquizofrenia e com filhos. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental 2014;(12):9-16.

Nascimento YCML, Brêda MZ, Santos RM, Lima KRS. Concepções sobre a identidade social da pessoa em sofrimento mental nos estudos de enfermagem. Cogitare Enferm. 2013;18(1):102-8.

Mainarde DC, Matos PCN, Zanetti ACG, Reisdorfer E, Miguel TLB. Atendimento ao indivíduo com transtorno mental: perspectiva de uma equipe da estratégia de saúde da família. Rev Baiana Enferm. 2014;28(1):69-78.




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.6740

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia