Conhecer (e) saber: relatos de pessoas curadas da sífilis

Débora de Aro Navega, Ana Cláudia Bortolozzi Maia

Resumo


Objetivo: Descrever as vivências relatadas por pessoas curadas da sífilis sobre o contágio, o diagnóstico e as informações sobre a infecção. Métodos: Pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, na qual participaram oito colaboradores de um Centro de Saúde Especializado em Infecções Sexualmente Transmissíveis/Síndrome da imunodeficiência adquirida (IST/AIDS) em 2015, no município de Bauru, São Paulo, Brasil. Os dados foram coletados através de entrevista semiestruturada, a partir de uma questão inicial para posterior análise de conteúdo. Resultados: Desvelaram-se três categorias temáticas: “A ocorrência do contágio da sífilis”, “A busca e as reações emocionais diante do diagnóstico”, “As informações sobre a sífilis”. A primeira categoria evidenciou que a vulnerabilidade dos colaboradores era permeada por desinformação, confiança no parceiro, comportamentos sexuais de risco e descoberta tardia. A segunda categoria demonstrou que geralmente busca-se o diagnóstico quando há a manifestação de sintomas e, diante dele, há reações emocionais de espanto e culpa a si ou ao parceiro. A terceira categoria deixou claro que eram insuficientes os conhecimentos prévios e as informações recebidas nos atendimentos com profissionais de saúde que os acolheram e orientaram, e que contribuíram para a aceitação do diagnóstico, a decisão e a adesão ao tratamento. Conclusão: O estudo evidenciou que o contágio da doença ocorreu pela desinformação, confiança no parceiro e comportamentos sexuais de risco, havendo manifestação de sintomas e reações emocionais dos pacientes.

Palavras-chave


Autocuidado; Educação em Saúde; Diagnóstico; Prevenção de Doenças; Sífilis.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.6943

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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