Dificuldades das mulheres privadas de liberdade no acesso aos serviços de saúde

Bianca Carvalho da Graça, Michele de Melo Mariano, Maria Aparecida de Jesus Xavier Gusmão, Juliana Fernades Cabral, Vagner Ferreira do Nascimento, Josué Souza Gleriano, Thalise Yuri Hattori, Ana Cláudia Pereira Terças-Trettel

Resumo


Objetivo: Conhecer como se dá o acesso aos serviços de saúde pelas reeducandas de uma cadeia pública. Métodos: Trata-se de pesquisa descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa, desenvolvida na cadeia pública feminina de um município da região Médio-norte de Mato Grosso, Brasil, junto a 15 mulheres privadas de liberdade. A coleta de dados ocorreu no mês de outubro de 2016, através de entrevista semiestruturada em que as falas foram gravadas e, posteriormente, transcritas para análise de conteúdo na modalidade Análise Temática. Resultados: O descontentamento com os serviços oferecidos foi evidenciado, devido, principalmente, a ausência dos recursos humanos e materiais necessários para o atendimento em saúde no cárcere. O encaminhamento para serviços municipais é realizado apenas em situações de urgência/emergência, sendo executado através de escolta que, muitas vezes, é limitada em decorrência do baixo contingente de profissionais disponíveis. Conclusão: A dificuldade no acesso expressa as iniquidades a que essa população está exposta, limitando as ações de promoção e prevenção, tornando o acesso restrito ao atendimento de doenças e agravos em fase grave e aguda, em que a atenção é voltada exclusivamente para assistência.

Palavras-chave


Acesso aos Serviços de Saúde; Mulheres; Prisões; Determinantes Sociais da Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.7374

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