Estigma e teste rápido na atenção básica: percepção de usuários e profissionais

Raquel de Andrade Souza Ew, Guilherme Severo Ferreira, Larissa Moraes Moro, Kátia Bones Rocha

Resumo


Objetivo: Analisar como o estigma e a discriminação estão presentes no cotidiano de usuários e profissionais no contexto de implementação do teste rápido para HIV/AIDS na Atenção Básica. Métodos: Estudo qualitativo, de caráter exploratório, realizado em 2015, em 15 unidades de saúde de Porto Alegre, Brasil. Participaram 64 pessoas, sendo 34 usuários e 30 profissionais de saúde com diferentes formações. Os dados foram coletados através de entrevistas semiestruturadas e organizados a partir da análise temática das falas dos participantes. Resultados: O estigma associado ao HIV/AIDS se faz presente nas diferentes falas dos entrevistados. Os participantes apresentaram semelhanças na indicação de quem deveria realizar o teste rápido de HIV/AIDS, citando usuários de drogas, adolescentes e mulheres. Os entrevistados referem estigma e discriminação na comunidade e nos serviços de saúde, sendo que os profissionais afirmam que existe preconceito por parte de membros da equipe e dos próprios usuários do serviço, sem implicarem-se nesse processo. Considerar a AIDS como uma doença qualquer é uma forma de neutralizar a identificação do estigma, não reconhecendo as especificidades históricas do HIV e as singularidades das pessoas afetadas. Conclusão: O desafio da Atenção Básica é reconhecer quais são os conceitos que embasam a identificação de pessoas vulneráveis ao HIV/AIDS, para que não se reproduzam estigmas que entravam a promoção de saúde.

Palavras-chave


Estigma Social; Atenção Primária à Saúde; Sorodiagnóstico da AIDS.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.7463

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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