Um retrato da primeira infância em situação de pobreza

Raissa Freitas Gomes Brito, Herika Paiva Pontes, Mirna Albuquerque Frota

Resumo


Objetivo: Conhecer o perfil da primeira infância em situação de pobreza no estado do Ceará. Métodos: Trata-se de estudo descritivo, de natureza quantitativa, realizado com crianças de zero a seis anos em situação de pobreza no estado do Ceará. Os dados foram coletados na plataforma Tabulador de Informações do Cadastro Único do Ministério do Desenvolvimento Social, no período de junho de 2017, quando o mesmo contava com 5.385.085 pessoas cadastradas, das quais 581.336 tinham de zero a seis anos, definindo a amostra da pesquisa. As variáveis coletadas foram: sexo, etnia, renda, habitação, educação, saúde e violação dos direitos, para serem analisadas descritivamente. Resultados: Com relação à renda, são 552.921 famílias (95,11%) consideradas de baixa renda, das quais 73,18% (425.441) vivem em situação de extrema pobreza. Apesar de a maioria (388.325; 66,79%) morar em domicílios situados em zonas urbanas, em casas predominantemente de alvenaria (548.871; 94,41%), 281.726 (41,02%) residem em domicílio sem nenhum tipo de calçamento em frente à residência e 427.906 (63,31), sem rede coletora de esgoto. Na dimensão educação, 395.776 crianças (68,08%) não frequentam a escola e menos de 1% (70) vive em situação de rua e trabalho infantil. Foram, predominante, crianças do sexo masculino (297.786; 51,22%) e consideradas, por seus responsáveis, pardas (479.769; 82,53%). Conclusão: A maioria das crianças de até 6 anos e em situação de pobreza no Ceará são do sexo masculino, de cor parda, residindo em domicílios com precárias condições de saneamento básico e ainda sem acesso à educação infantil.

Palavras-chave


Criança; Pobreza; Desenvolvimento Infantil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.8766

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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