Da pré-história à história: semiótica do corpo no Manual de Pintura e Caligrafia, de José Saramago

José Leite de Oliveira Jr

Resumo


Partindo do pressuposto semiótico de que o corpo é lugar de construção do sentido e de que a obra de arte é também um corpo, propõe-se uma investigação do Manual de pintura e caligrafia, de 1977, primeiro romance da fase madura de José Saramago. Nessa obra, uma das mais notáveis pelo exercício metalinguístico que desenvolve, o protagonista trava uma batalha corporal para encontrar-se como sujeito histórico, valendo-se da relação interdiscursiva entre pintura e literatura. O texto desenvolve um percurso dialético de negação e afirmação do gênero pictórico do retrato. O retrato negado é aquele feito por encomenda para o cliente burguês, sendo forma figurativa de seus valores de classe social. A negação do retrato faz o pintor dedicar-se à escrita, que lhe proporciona uma longa autocrítica, e, com apoio no texto de Marx, ele chega à percepção do sentido histórico de seu trabalho. Feito isso, o narrador H. sente-se preparado para retomar a pintura do retrato, desta feita o autorretrato, obra qualitativamente superior, pois representa a liberação do trabalho artístico e estampa a
imagem de um corpo ideologicamente insubmisso.

Palavras-chave


Romance de Saramago. Literatura e pintura. Semiótica literária. Ideologia. Historicidade.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23180714.2017.32.1.3-19

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista de Humanidades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2318-0714

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia