A psicossomática e a escrita do real

Roseane Freitas Nicolau

Resumo


A partir de uma investigação sobre psicossomática e de uma revisão
das principais teorias sobre o tema, propomos neste artigo (re)
visitar os textos de Freud e de Lacan, utilizando também textos
de outros psicanalistas. Pretendemos com isso circunscrever o
funcionamento conceitual das teorias inspiradas nos modelos
freudiano e lacaniano sobre psicossomática, visando articulá-las
às últimas elaborações de Lacan sobre o tema, apresentadas na
Conferência de Genebra (1975), onde assinala que o fenômeno
psicossomático é da ordem da escrita no corpo. Escrita que não é
da ordem do signo, mas da assinatura, o que remete à dimensão do
enigma. Para Lacan os traços são verdadeiros hieróglifos que ainda
não se sabe ler, ou seja, traços escritos concebidos como “não-aler”,
porque é um escrito indecifrável. Nosso objetivo é formalizar um saber teórico que possa nortear o fazer clínico, este que suscita
questionamentos sobre como fazer uma escrita do gozo presente
na reação psicossomática, que possa reduzi-lo. Acreditamos que
a psicanálise, ao marcar a diferença entre sintoma neurótico e
fenômeno psicossomático, abre a possibilidade de sustentar a
direção da cura, ao pensar a clínica não somente como um trabalho
do significante ou da letra, mas também como a intervenção que
recorta, destaca, faz cair o que Lacan chamou de “pedaços de real”.
É esta idéia que buscamos articular com a escrita do real, visando à
possibilidade de que o gozo seja deslocado ao campo da palavra,
na direção da cura.

Palavras-chave


fenômeno psicossomático, sintoma, corpo, gozo, escrita.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.8.4.959-990

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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