A psicanálise como experiência ética e o problema da cientificidade

Daniel Omar Perez

Resumo


O objetivo deste artigo é apresentar uma interpretação da
psicanálise (Freud-Lacan) como experiência ética. Para alcançar tal
fim, primeiro, mostraremos os limites de uma psicanálise entendida
como ciência, indagaremos sua especificidade e interrogaremos o
que compreende a sua eficácia. Em segundo lugar, articularemos
os conceitos fundamentais da teoria e da prática psicanalítica
(lei e desejo) não como elementos de um modelo explicativo de
fenômenos naturais senão como condição de possibilidade de
uma experiência do sujeito com seu próprio desejo e com as
interdições que o constituem. Nesse ponto abordaremos as noções
de natureza e de ideal. Será preciso ainda especificar as noções de
experiência e de ética, já que a primeira não será usada no sentido de experiência perceptiva ou cognitiva, e a segunda não se referirá
a um princípio ou regra ou conjunto de princípios ou regras de
determinação de ação que procuram a realização ou conquista
de um bem. Finalmente, concluiremos que a experiência analítica
como experiência ética se produz no reconhecimento da lei que
provoca um para-além-da-lei que se distingue estruturalmente do
gozo absoluto. O artigo contribui com debate sobre o estatuto da
psicanálise como prática teórica e clínica e com as discussões
sobre ética no âmbito da filosofia em uma tradição sui generis que
pode ser compreendida a partir de Kant, Heidegger e Lacan.

Palavras-chave


psicanálise, ética, desejo, Lacan, Freud.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.9.4.1203-1232

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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