A fragmentação do eu na esquizofrenia e o fenômeno do transitivismo: um caso clínico

Luciane Loss Jardim

Resumo


Nesse artigo, busca-se compreender a fragmentação do eu no
quadro clínico da esquizofrenia a partir de uma leitura psicanalítica.
Nessa perspectiva, apresenta-se uma breve digressão histórica do
conceito de esquizofrenia elaborado por Eugéne Bleuler, destacando
sua proposição relativa à cisão do eu e sua visão mais abrangente
da psicopatologia que vai ao encontro da teoria de Jacques Lacan
sobre a dissolução imaginária do eu na psicose. Dessa forma,
apresenta-se o caso clínico de Julio, paciente esquizofrênico, que
é um caso paradigmático para compreender essa sintomatologia,
a partir do enquadre psicanalítico que pressupõe a existência de formações do inconsciente na organização psicopatológica da
esquizofrenia. O caso clínico é analisado sobre dois segmentos, a
saber, o momento do desencadeamento da psicose relativo a falta
na estrutura simbólica no que concerne à função paterna. A falta do
referente simbólico relativo desencadeia uma dissolução ao nível do
eu na psicose; dessa forma, um dos fenômenos muito encontrados
na esquizofrenia é a fragmentação egóica. Julio apresenta uma
identificação imaginária aderida ao outro, uma captura pela imagem
do outro sem exclusão recíproca, o que é próprio ao fenômeno
do transitivismo. O fenômeno do transitivismo ocorre no estádio
do espelho e surge em certos momentos do desenvolvimento
psíquico, caracterizado por este momento de báscula em que as
ações da criança e do seu semelhante se equivalem. Dessa forma,
ao vincularmos o fenômeno do transitivismo aos sintomas do eu na
esquizofrenia é possível articular uma leitura da clínica com psicose
a partir desse operador.

Palavras-chave


esquizofrenia; psicanálise; psicopatologia; transitivismo; eu

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.11.1.267%20-%20284

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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