A Desautorização do Processo Perceptivo na Negação Não Psicótica da Gravidez

Thomás Gomes Gonçalves, Mônica Medeiros Kother Macedo

Resumo


A literatura científica mundial adota atualmente a denominação de
negação não psicótica da gravidez para se referir à situação na qual
uma mulher não sabe que está grávida até o momento do parto,
ou pelo menos durante boa parte do período gestacional. Pode ser definida, também, como a falta de consciência subjetiva por parte
da mulher em relação a estar grávida. Esse fenômeno é explorado
neste artigo mediante a abordagem de conflitos e mecanismos
psíquicos que sustentam sua dinâmica psíquica. Para tal, discorrese
sobre o mecanismo Verleugnung, a partir de proposições do
psicanalista Luis Cláudio Figueiredo, no sentido de traduzi-lo como
“desautorização”. Entende-se que na situação da negação não
psicótica da gravidez, explorada sob o viés da desautorização, se
encontram ampliadas as condições de compreensão a respeito do
estabelecimento de uma condição psíquica singular a qual resulta
na situação em que uma mulher não toma conhecimento de sua
condição de estar gerando outro ser. Também são apresentadas
contribuições de autores psicanalíticos contemporâneos que
fornecem pertinentes ferramentas de compreensão no que diz
respeito à situação da negação não psicótica da gravidez. Tal
fenômeno, ao desautorizar a percepção e gerar um impedimento de
estabelecer conexões psíquicas e atribuir sentido a esta experiência,
resulta no predomínio de intensidades traumáticas no psiquismo.

Palavras-chave


Verleugnung, negação não psicótica da gravidez, psicanálise, desautorização, trauma.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.11.4.1521-%201546

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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