A Medicalização da Existência e o Descentramento do Sujeito na Atualidade

Rogério Paes Henriques

Resumo


O presente trabalho aborda o processe de medicalização da
vida, que ocorre quando problemas relacionados à existência
humana – sejam comportamentos desviantes (loucura, abuso
de álcool e drogas, abuso infantil etc.), outrora considerados
problemas espirituais/morais ou legais/criminais, sejam processos
da vida natural (sexualidade, parto, envelhecimento, morte
etc.) – passam a ser redefinidos pela racionalidade médicocientífica.
O saber médico expande-se, assim, para o campo
do não patológico, incidindo sobre comportamentos desviantes
ou processos naturais, sendo seu acoplamento à vida cotidiana
promovido pelas práticas de “promoção da saúde, tomando-se
o conceito de saúde como “bem-estar” e “qualidade de vida”,
tal como na redefinição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Propõe-se que a medicalização da vida em curso, por
intermédio da “ideologia ou moralidade da saúde”, não ocorra
de forma impositiva. Subjacente à ela, encontra-se o processo
de descentramento do sujeito na atualidade, que desloca a sua
espessura ontológica conflituosa da “interioridade” psicológica
rumo à “exterioridade” performática, devido á demanda de
maximização do empenho corporal na cultura somática, sob a
égide da governamentalidade neoliberal. Essa nova forma de
subjetivação contemporânea, denominada “individualidade
somática” ou “sujeito cerebral”, que privilegia a neuroquímica
do cérebro em detrimento de crenças, desejos e afetos, encontra
nos produtos tecnocientíficos ofertados pelo complexo médicoindustrial
e promovidos pelo discurso neurocientífico o elixir para
sua recusa da dor de existir.

Palavras-chave


Atualidade, Medicalização, Saúde, Descentramento, Sujeito.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.12.3-4.793%20-%20816

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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