O Espaço para o Scholé no Mundo Acadêmico

Marcus Vinicius Soares Siqueira, Bárbara Novaes Medeiros, Juliana Moro Bueno Mendonça

Resumo


Envolto às lógicas gerencialista, produtivista e mercadológica, a academia aprofunda suas próprias contradições que a definem. A partir desse contexto, o objetivo deste artigo teórico é o de discutir de maneira crítica, as relações de trabalho no mundo acadêmico a partir de dimensões como: o espaço para o ócio na visão grega (scholé), o desprazer e o prazer. Constata-se que é fundamental conceber as duas últimas dimensões de maneira imbricada com a primeira para que exista uma reflexão crítica a respeito das atividades que envolvem o trabalho docente no ensino superior. Caso contrário, pouca atenção será ofertada para a construção de mecanismos de trabalho emancipatórios, oriundos da conduta individual e coletiva, que ajudam a renovar a relação do sujeito com o trabalho. É necessário, portanto, o resgate do espaço do scholé enquanto valor, não para fins instrumentais, mas humanos, ligado à alteridade nas relações do professor, visando transformar a realidade social, por intermédio seja do ensino, seja da pesquisa e/ou da extensão.

Palavras-chave


professores; scholé; prazer; desprazer; ensino superior

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v17i3.6385

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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