O Dispositivo Clínica da Urgência na Atenção Hospitalar: Sofrimento, Escuta e Sujeito

Maico Fernando Costa, Abílio da Costa-Rosa

Resumo


O objetivo do presente artigo é considerar os aspectos psíquicos do sofrimento do sujeito que chega ao estabelecimento hospitalar relatando ou apresentando tipos de lesão física no corpo.  Essa perspectiva passa pela definição de clínica da urgência no campo da atenção à saúde hospitalar. Para tanto, apresentamos aos psicólogos e trabalhadores, inseridos nos estabelecimentos hospitalares e que possuem interesse na escuta ao sujeito do sofrimento, um posicionamento num horizonte técnico-teórico e ético-político pautado na orientação da Psicanálise de Freud e Lacan. No hospital, as concepções de doença, tratamento e diagnóstico são consideradas, a priori, por uma equipe de médicos e enfermeiros, como um fator biológico do humano. No discurso médico, o sujeito se torna objeto e passivo a sua condição de “doente”. Respaldados pelas noções de sujeito e subjetividade, o psicólogo, precavido pela Psicanálise, aposta e apreende, mediante a experiência em uma Unidade de Pronto Atendimento, a possibilidade, nesse contexto, de uma direção de tratamento não excludente ao sujeito do inconsciente. De maneira que, o sujeito, ao falar de sua história, daquilo que mais o angustia e o assusta, ao perceber a saúde abalada por um acidente, pode se reposicionar diante da “doença”.


Palavras-chave


clínica da urgência; escuta; atenção hospitalar; sujeito.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v18i2.6513

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