Psicanálise e Biopolítica: O Fascínio do Discurso Médico

Leonardo Danziato, Ana Carolina B. L. Martins, Sabrina Serra Matos

Resumo


Este trabalho visa interrogar as causas e os processos discursivos relacionados ao fascínio que o modelo hegemônico da medicina descritiva exerce sobre os profissionais e os alunos dos cursos de psicologia, e também sobre a população como um todo. Buscamos politizar a questão, partindo da discussão mais ampla sobre os manuais classificatórios DSM e CID e suas consequências para o crescente movimento de “autodiagnose”. Em seguida, em uma análise epistemológica, investigamos a histórica e problemática constituição da psiquiatria no campo médico, bem como as possíveis razões para a adesão ao discurso psiquiátrico por parte do campo psicológico. Tal trajeto nos permitiu introduzir uma análise genealógica e crítica da legitimação do saber médico em nossa cultura, realizada a partir do conceito foucaultiano de biopolítica. Nas conclusões, trabalhando com a teoria lacaniana dos quatro discursos, pudemos apontar o quanto a conjunção entre ciência e capitalismo, constatada na dominância do discurso médico, inviabiliza um lugar para o sujeito e para o seu não saber.


Palavras-chave


psicanálise; biopolítica; discurso médico

Texto completo:

PDF/A

Referências


American Psychiatric Association (2004). DSM-4:Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder. São Paulo: Manole.

American Psychiatric Association. (2014). DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora.

Boltanski, L., & Chiapello, E. (2009). O novo espírito do capitalismo. São Paulo: WMF Martins Fontes.

Canguilhem, G. (1990). O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Calazans, R., & Lustoza, R. Z. (2008). A medicalização do psíquico: Os conceitos de vida e saúde. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 60(1), 124-131.

Clavreul, J. (1983). A ordem médica: Poder e impotência do discurso médico. São Paulo: Brasiliense.

Danziato, L. J. (2012). O Saber e a Verdade na Psicanálise e na Universidade. Psicol. Ciênc. Prof., 32(4), 872-881.

Dardot, P., & Laval, C. (2016). A nova razão do mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo.

Elia, L. (2012). O conceito de sujeito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Figueiredo, L C. (2008). Revisitando as Psicologias: Da epistemologia à ética das práticas e discursos psicológicos. Petrópolis: Ed Vozes.

Figueiredo, L C. (2012). Matrizes do pensamento psicológico. Petrópolis: Vozes.

Freire, J. (1994). A ética e o espelho da cultura. Rio de Janeiro: Rocco.

Freud, S. (1996). Psicologia de grupo e análise do eu. InJ. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 28, pp. 79-157). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1921)

Foucault, M (1987). O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (1977). Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes.

Foucault, M. (1979). O nascimento a medicina social. In. Machado, R. (org). Microfísica do Poder. Rio de Janeiro, Ed Graal, pp. 79-98..

Foucault, M. (1991). A História da Loucura na Idade Clássica. São Paulo: Perspectiva.

Foucault, M. (1999). A Ordem do Discurso. São Paulo: Loyola..

Foucault, M. (1999b). A Verdade e as Formas Jurídicas. Rio de Janeiro: Nau Ed.

Foucault, M. (2003). Estratégia Poder-Saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Genes, M. (2002). TDAH/I: Implicações no desenvolvimento infantil. In. Ferreira, C.A.M., Thompson, R. e Mousinho, R. (Org). Psicomotricidade Clínica. São Paulo: Ed. Lavise, pp. 91-107.

Gutfreind, C. (2016). Crônica dos afetos. Porto Alegre: Artmed.

Henriques, R. D. S. P. (2003). A remedicalização da Psiquiatria: Uma reflexão crítica sobre a revolução nosológica do DSM-III, (Doctoral dissertation). Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Infantes, D. P. (2011). Psiquiatria para que e para quem. In. O livro negro da psicopatologia contemporânea. São Paulo: Letterman Editora, pp. 64-72.

Lacan, J. (1969-70). O Seminário, livro 17:O Avesso da Psicanálise (1992). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1968-69). O Seminário, livro 16: De um Outro ao outro (2008). Seminário dos anos de 1968-69. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Melman, C. (2003). O Homem sem gravidade: Gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro: Companhia de Freud.

Miller, J. A. (2010). El Otro que no existe y sus comités de ética. Buenos Aires: Paidós.

Organização Mundial da Saúde. (1994). CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças.(Vol. 1). São Paulo, Edusp.

Rose, N. (2013). A Política da Própria Vida: Biomedicina, poder e subjetividade no século XXI. São Paulo: Paulus.

Souza, L. (2013). Entre identificação e nomeação: Efeitos subjetivos da classificação psiquiátrica. (Dissertação de Mestrado), Programa de Pós-Graudação em Psicologia da Universidade de Fortaleza.

Thompson, R (2002). A ação terapêutica da psicomotricidade na criança com TDAH. In Ferreira, C.A.M.; Thompson, R.; Mousinho, R. (Org) Psicomotricidade Clínica. São Paulo: Ed. Lavise, pp. 69-90.

Zizek, S. (2015). Problemas no paraíso: Do fim da história ao fim do capitalismo. Rio de Janeiro: Zahar.

Zarzanelli, R., Delgalarrondo, P., &Benzato, C. E. M. (2014). O projeto research domain criteria e o abandono da tradição psicopatológica. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 17(2), 328-341. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-47142014000200328&script=sci_abstract&tlng=pt




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v18iEsp.6591

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia