Complexidade na Abordagem da Deficiência Física: Discutindo Aspectos Pessoais, Orgânicos e Ambientais

Diego Rodrigues Silva, Rogerio Lerner, Eliana Herzberg

Resumo


A deficiência física articula a relação entre um organismo com anomalias e um meio social para que se configure, ou não, como uma incapacidade, tendo dimensões indissociáveis. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) sistematiza essa relação, fornecendo um modelo de compreensão sustentado na complexidade que considera os aspectos orgânicos, ambientais e pessoais. Em forma de um modelo complexo, Freud estabeleceu as séries complementares, uma maneira de tratar as condições orgânicas e relacionais na constituição do psiquismo. Dados os modelos, o artigo tem por objetivo articular sistematicamente a CIF e as séries complementares quanto à compreensão da deficiência física. Foi constituído um esquema de três eixos inter-relacionados (componentes orgânicos, fatores ambientais e fatores pessoais). Confrontando-os dois a dois verificou-se que as séries complementares tratam, mais particularmente, da incidência do ambiente no pessoal, ainda que os demais dados coloquem questões importantes para o tema. Já a CIF trata com propriedade da incidência do ambiente no organismo, apresentando lacunas ao tratar dos aspectos pessoais. Conclui-se, assim, que a perspectiva adotada pela CIF representa um avanço ao inserir aspectos referentes à subjetividade na compreensão das deficiências, mas carece de um aprofundamento da consideração de tal dimensão. As questões levantadas a partir da discussão podem auxiliar nessa demanda, oferecendo temas a serem mais bem explorados e que podem contribuir com a CIF. Deste modo, ressalta a importância das compreensões complexas.


Palavras-chave


deficiência; corpo; aparato psíquico; CIF; séries complementares.

Texto completo:

PDF/A

Referências


Araujo, G., & Lerner, R. (2010). Discussão da noção de intersubjetividade à luz de contribuições da psicanálise. Reverso, 32(60), 35-42.

Bernard, D., Tanguy, C., Ottavi, L., & Martins, M. C. (2014). A marca do desejo parental. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 66(3), 74-88.

Bernardino, L. M. F., & Vaz, B. G. (2015). Avaliação de crianças pequenas em processo de educação inclusiva através do protocolo AP3. Educação, 38(2), 193-202. doi: 10.15448/1981-2582.2015.2.20045

Brasil. (2008). Decreto legislativo nº 186, de 2008. Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de março de 2007. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Congresso/DLG/DLG-186-2008.htm

Crochík, J. L. (1995). Preconceito, Indivíduo e Cultura. São Paulo: Robe.

Diniz, D. (2007). O que é deficiência (Coleção Primeiros Passos). São Paulo: Brasiliense.

Dolto, F. (2015). A imagem inconsciente do corpo. São Paulo: Perspectiva. (Originalmente publicado em 1984).

Fédida, P. (1984). A negação da deficiência. In M. L. D’Ávila Neto (Org.), A Negação da Deficiência: A instituição da Diversidade (pp. 137-147). Rio de Janeiro: Achiamé & Socius.

Freud, S. (1996a). A hereditariedade e a etiologia das neuroses. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 3, pp. 140-155). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1896).

Freud, S. (1996b). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 7, pp. 121-252). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1905).

Freud, S. (1996c). Conferência XXII: Algumas idéias sobre desenvolvimento e regressão – etiologia. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 16, pp. 343-360). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1915-16).

Freud, S. (1996d). O ego e o id. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 19, pp. 15-73). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1923).

Freud, S. (1996e). Conferência XXXI: A dissecção da personalidade psíquica. In J. Strachey (Ed.), Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 22, pp. 63-84). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1932).

Lacan, J. (1998). O estádio do espelho como formador da função do eu tal como nos é relevada na experiência psicanalítica. In J. Lacan, Escritos (pp. 96-103). Rio de Janeiro: Zahar. (Originalmente publicado em 1949).

Le Boulch, J. (2001). O desenvolvimento psicomotor: do nascimento até os 6 anos (7a ed.). Porto Alegre: Artmed.

Levin, E. (1997). A infância em cena: Constituição do sujeito e desenvolvimento psicomotor. Rio de Janeiro: Vozes.

Lungarzo, C. (1992). O que é ciência (4a ed). São Paulo: Brasiliense.

Mannoni, M. (1999). A criança retardada e a mãe (5a ed.). São Paulo: Martins Fontes. (Originalmente publicado em 1964).

Martins, E. C. (2010). Ontogênese e filogênese em Freud. Revista AdVerbum, 5(2), 69-89.

Morin, E. (1997). Ensaios da complexidade. Porto Alegre: Salina.

Organização Mundial da Saúde. (2003). CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.

Safra, G. (2006). Desvelando a memória do humano: O brincar, o narrar, o corpo, o sagrado, o silêncio. São Paulo: Edições Sobornost.

Schilder, P. (1980). A imagem inconsciente do corpo. São Paulo: Martins Fonte (Trabalho original publicado em 1950).

Siqueira, E. R. A., & Queiroz, E. F. (2012). O estatuto contemporâneo das identificações em sujeitos com marcas e alterações corporais. Tempo psicanalitico, 44(1), 37-49.

Silva, D. R. (2017). Explorando a imagem corporal de crianças com deficiência física congênita: limites, traços e riscos (Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Psicologia Clínica), Universidade de São Paulo, São Paulo.

Vieira, M. C. S., & Kupermann, D. (2009). Refletindo sobre a noção de subjetividade: articulações entre as séries complementares e a fase do espelho. Colóquio Internacional sobre o Método Clínico. Recuperado de http://www.psicopatologiafundamental.org/pagina-mesas-redondas-381

Vilanova, A., & Vieira, M. A. (2014). O sujeito da psicanálise não é sem corpo. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 66(1), 87-101.




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v18i1.7094

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia