Relação entre qualidade de vida e felicidade subjetiva de adolescentes escolares

Adália Maria Dias Palma Leal, Flávia Martão Flório, Luciane Zanin

Resumo


Objetivo: Avaliar a qualidade de vida de adolescentes escolares associada aos perfis socioeconômico e demográfico e a relação com felicidade subjetiva. Métodos: Estudo transversal e quantitativo, desenvolvido de dezembro de 2018 a janeiro de 2019, com 339 adolescentes de 14 a 18 anos matriculados no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano, em Petrolina, Pernambuco. Avaliaram-se dados relativos aos perfis socioeconômico e demográfico (sexo, idade, renda, moradia, escolaridade da mãe, escola fundamental II, auxílio estudantil, atividade física, curso), assim como verificou-se a qualidade de vida pelo questionário Kidscreen-27 (saúde e atividade física; bem-estar psicológico; autonomia e relação com os pais; amigos e apoio social; ambiente escolar) e a felicidade subjetiva pela Escala de Felicidade Subjetiva. Estimaram odds ratios brutos e ajustados por modelos de regressão logística simples e múltipla, considerando o nível de significância de 5%. Resultados: Amostra composta por 186 (54,9%) adolescentes do sexo masculino e 153 (45,1%) do sexo feminino, com idade média de 16,4 anos (dp 1,1 ano). Os adolescentes do sexo masculino têm 4,10 vezes (IC95%: 2,31-7,26) mais chances de ter melhor qualidade de vida em saúde. Adolescentes do curso de Eletrotécnica têm 2,27 vezes (IC95%: 1,02-5,02) mais chances de ter melhor qualidade de vida em saúde que os de Química (p<0,05). Adolescentes com maior escore de felicidade subjetiva têm 7,10 vezes (IC95%: 4,18-12,08) mais chances de ter melhor qualidade de vida total em todos os domínios. Conclusão: Fatores como sexo masculino, prática de atividade física, maior renda, menor idade e melhor felicidade subjetiva influenciaram positivamente na qualidade de vida dos adolescentes avaliados.

Palavras-chave


Qualidade de Vida; Saúde do Adolescente; Adulto Jovem; Educação em Saúde

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DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2020.10159

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