Fatores associados à atividade física de lazer entre idosos do município de São Paulo

Bruno Holanda Ferreira, Bruna Gabriela Marques, Olinda Carmo Luiz

Resumo


Objetivo: Analisar a prevalência de atividade física de lazer em nível suficiente (AFLS) entre idosos residentes no município de São Paulo e sua associação com características sociodemográficas, comportamentos de saúde e morbidade. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com uma amostra de 693 idosos (≥ 60 anos de idade) residentes no município de São Paulo, Brasil, cujos dados sociodemográficos, comportamento em saúde e morbidade foram extraídos a partir do sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, referente ao ano de 2017. Realizou-se estatística descritiva, testes de associação pelo qui-quadrado, regressão logística simples bruta e ajustada, por idade, sexo e escolaridade, assim como regressão múltipla. Resultados: A prevalência de AFLS entre os idosos entrevistados foi de 22,5% (n=156). Entre os idosos com escolaridade >12 anos houve maior chance de ser ativo (OR=2,47; IC95% 1,58-3,85) em relação àqueles com 0-8 anos de estudo, bem como entre os que apresentaram estado de saúde “bom” (OR=2,96; IC95%1,12-7,76) e “muito bom” (OR=5,14; IC95%1,86-14,23) em relação àqueles que relataram possuir saúde “ruim/muito ruim/não sabe”. Conclusão: No contexto geral, pode-se inferir que um a cada quatro idosos moradores do município de São Paulo praticam atividade física suficiente no lazer. Entre os idosos, a prevalência foi maior entre os mais jovens, do sexo masculino, com companheiro, branco, maior escolaridade, com ocupação, que relataram estado de saúde “muito bom”, referiram não possuir doenças crônicas, consumir bebida alcoólica e ser não fumante.

Palavras-chave


Saúde do Idoso; Envelhecimento; Promoção da Saúde; Estudos Transversais

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DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2020.10338

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