As estratégias de sobrevivência à violência utilizadas pelos agentes comunitários de saúde

Cibelly Melo Ferreira, Maria Rocineide Ferreira Da Silva, Vanira Matos Pessoa, Sharmênia De Araújo Soares Nuto

Resumo


Objetivo: identificar as estratégias de sobrevivência à violência utilizadas pelos agentes comunitários de saúde (ACS) residentes e trabalhadores em território de alta vulnerabilidade e violência urbana. Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo, de abordagem qualitativa. Realizou-se a coleta de dados com 12 ACS, através de entrevistas semi estruturadas, no período de março a abril de 2019. As entrevistas foram gravadas e transcritas e se procedeu à análise do tipo interpretação dos sentidos. Os temas empíricos foram agrupados em duas categorias: violência no território e estratégias de enfrentamento à violência usadas pelos ACS. Resultados: Dentre os entrevistados, seis trabalham em territórios com disputas entre facções e seis em áreas sem disputas entre comandos. Entretanto, mesmo os que trabalham em áreas sem disputas, sentem a interferência da violência em sua saúde. As estratégias encontradas de sobrevivência diante da violência foram classificadas em três tipos: comportamentais, estratégias de utilização de práticas preventivas e medidas de proteção mental. Conclusão: “Ser cego, surdo e mudo” e “manter distância da polícia” constituíram as principais estratégias adotadas em situação de violência nos territórios.

Palavras-chave


Violência. Agentes Comunitários de Saúde. Estratégia Saúde da Família.

Texto completo:

PDF/A PDF/A (English)

Referências


Ministério da Saúde (BR). Portaria nº. 2436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica [acesso em 2019 ago 01]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html

Simões AL, Freitas CM. Análise sobre condições de trabalho de Equipe de Saúde da Família, num contexto de vulnerabilidades, Manaus (AM). Saúde em Debate. 2016; 40(109):47-58.

Santos, LFB.; David, HMSL. Percepções do estresse no trabalho pelos Agentes Comunitários de Saúde. Rev Enferm. 2011; 19(1):52-7.

Lessa MGG. O agente comunitário de saúde em Fortaleza: vivências profissionais [dissertação]. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará; 2013.

Machado, CB, et al. Violência urbana e repercussão nas práticas de cuidado no território da saúde da família. Rev Enferm UERJ. 2016; 24(5):1-6.

Gonçalves HCB, Queiroz MR, Delgado PGG. Violência urbana e saúde mental: desafios de uma nova agenda? Fractal Rev Psicol. 2017; 29(1):17-23.

Almeida, JF. Exposição à violência comunitária dos agentes da Estratégia Saúde da Família e repercussões sobre suas práticas de trabalho: um estudo qualitativo [dissertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2015.

Tinoco MM. A relação saúde / doença no processo de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde: uma revisão de literatura [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca; 2015.

Minayo MCS. O desafio do conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. 14a ed. São Paulo: HUCITEC; 2014.

Minayo MCS (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 33a ed. Petrópolis: Vozes; 2013.

Santana JP, Castro JL. Os sanitaristas de Jucás e o agente de saúde: entrevista com Antonio Carlile Holanda Lavor e Miria Campos Lavor. Natal: UNA; 2017.

Bauman Z. (tradução Plínio Dentzien). Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; 2003.

Vial EA, Junges JR, Olinto MTA, Machado PS, Pattussi MP. Violência urbana e capital social em uma cidade no Sul do Brasil: um estudo quantitativo e qualitativo. Rev Panam Salud Publica. 2010; 28(4):289-297.

Krug EG, Mercy JA, Dahlberg LL, Zwi AB. Relatório Mundial sobre Violência e Saúde. The Lancet. 2002; 360(9339):1083-1088.

Lancman S, et al. Repercussões da violência na saúde mental de trabalhadores do Programa Saúde da Família. Rev Saúde Pública. 2009; 43(4):682-688.

Andrade EM, Nakamura E, Paula CS, Nascimento R, Bordin IA, Martin DA. A visão dos profissionais de saúde em relação à violência doméstica contra crianças e adolescentes: um estudo qualitativo. Saúde Soc. 2011; 20(1):147-155.

Alonso CMC, Beguin PD, Duarte FJCM. Work of community health agents in the Family Health Strategy: meta-synthesis. Rev. Saúde Pública. 2018; 52(14):1-13.

Paiva, LFS. “AQUI NÃO TEM GANGUE, TEM FACÇÃO”: as transformações sociais do crime em Fortaleza, Brasil. Cad. CRH. 2019; 32(85):165-184.

Alba MZ. Retomar o debate logo. Reciis Rev Eletron Comun Inf Inov Saúde. 2018; 12(4):357-363.

Nogueira ML. Expressões da precarização no trabalho do agente comunitário de saúde: burocratização e estranhamento do trabalho. Saude soc. 2019; 28(3):309-323.




DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2021.11152

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia