Conhecimento de recomendações nutricionais por outros profissionais da Estratégia Saúde da Família

Getúlio Vasconcelos Fiuza, Adriano Pereira Alencar, Brena Barreto Barbosa, Antonio Augusto Ferreira Carioca

Resumo


Objetivo: Analisar o conhecimento dos profissionais da estratégia saúde da família sobre as orientações nutricionais para diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e hipertensão arterial sistêmica (HAS). Métodos: Estudo transversal descritivo realizado em 11 Unidades de Atenção Primária à Saúde do município de Fortaleza entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Foi aplicado um questionário com 67 médicos e enfermeiros, contendo questões relacionadas às recomendações nutricionais das sociedades de referência em DM2 e HAS, e do Guia Alimentar para a População Brasileira. Os dados foram analisados de forma descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas. Resultados: Os conteúdos mais abordados foram: redução de peso (98,5%), consumo de frutas e legumes (85,1%), consumo de sal e de açúcar simples (77,6%). O reconhecimento das diretrizes nutricionais das sociedades de referência foi insuficiente, destacando-se: proporção de carboidratos na dieta do paciente diabético (17,9%), consumo de café e pressão arterial (22,4%), consumo de açúcar pelo diabético (34,3%), consumo de leite e pressão arterial (37,3%). Em relação às orientações do Guia Alimentar, todos os entrevistados consideraram que os alimentos ultraprocessados devem ser evitados, e que as refeições feitas em horários semelhantes todos os dias e consumidas com atenção favorecem a digestão dos alimentos. Conclusão: As orientações nutricionais propostas pelo Guia Alimentar tiveram maior percentual de reconhecimento, em comparação às diretrizes das sociedades de referência.

Palavras-chave


Atenção Básica à Saúde; Orientações Nutricionais; Diabetes Mellitus; Hipertensão.

Texto completo:

PDF/A PDF/A (English)

Referências


Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes de atenção à saúde e nas linhas de cuidado prioritárias. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

Lobo LAC, Canuto R, Dias-da-Costa JS, Pattussi MP. Tendência temporal da prevalência de hipertensão arterial sistêmica no Brasil. Cad Saúde Pública. 2017; 33(6):1-13.

Pinho NAD, Oliveira RDCBD, Pierin AMG. Hipertensos com e sem doença renal: avaliação de fatores de risco. Rev Esc Enferm USP. 2015; 49(spe):101-8.

Schuster J, Oliveira AD, Bosco SMD. O papel da nutrição na prevenção e no tratamento de doenças cardiovasculares e metabólicas. Rev Soc Cardiol Estado Rio Grande do Sul. 2015; 1(28):1-6.

Silocchi C, Junges JR. Equipes de atenção primária: dificuldades no cuidado de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis. Trabalho, Educação e Saúde. 2017; 15(2), 599-615.

Lima LA, Nedel FB, Olinto MTA, Baldisserotto J. Hábitos alimentares de hipertensos e diabéticos atendidos em um serviço de Atenção Primária à Saúde do Sul do Brasil. Rev Nutr. 2015; 28(2):197-206.

Oliveira JEP, Montenegro RM, Vencio S. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: Clannad, 2019.

Malachias MVB, Plavnik FL, Machado CA, Malta D, Scala LCN, Fuchs S. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol. 2016; 107(3):1-6.

Jesus NSD, Nogueira ADR, Pachu CO, Luiz RR, Oliveira GMMD. Adesão ao tratamento e Controle da Pressão Arterial após participação no ReHOT. Arq Bras Cardiol. 2016; 107(5):437-45.

Brandão AA, Alessi A, Feitosa AM, Machado CA, Figueiredo CEP, Amodeo C et al. 6ª Diretrizes de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial e 4ª Diretrizes de Monitorização Residencial da Pressão Arterial. Arq Bras Cardiol. 2018; 110(5):1-29.

Rosa R, Nita ME, Rached R, Donato B, Rahal E. Estimated hospitalizations attributable to Diabetes Mellitus within the public healthcare system in Brazil from 2008 to 2010: study DIAPS 79. Rev Assoc Med Bras. 2014; 60(3):222-30.

Matos PF, Neves AS. A importância do Nutricionista na Atenção Básica à Saúde. Rev Práxis. 2009; 1(2):11-15.

Barbosa LB. Nível de conhecimento nutricional versus hábitos alimentares e estado nutricional de hipertensos e diabéticos usuários de uma unidade básica de saúde de Maceió, Alagoas [dissertação]. Maceió: Universidade Federal de Alagoas; 2014.

Teixeira JDF, Goulart MR, Busnello FM, Pellanda LC. Conhecimento e atitudes sobre alimentos ricos em sódio por pacientes hipertensos. Arq Bras Cardiol. 2016; 106(5):404-10.

Plano municipal de saúde de Fortaleza. Plano municipal de saúde de Fortaleza 2018-2021. Fortaleza: PMF; 2017. [acesso em 2020 mai 20]. Disponível em: https://saude.fortaleza.ce.gov.br/images/planodesaude/20182021/_Plano-Municipal-de-Saude-de-Fortaleza-2018-2021_.pdf.

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

American Diabetes Association. Summary of revisions: standards of medical care in diabetes—2020. Diabetes Care. 2020; 43(Suppl 1), S4-S6.

American Heart Association. Guideline on the primary prevention of cardiovascular disease. Circulation. 2019;140:e596–e646.

Adams KM, Butsch WS, Kohlmeier M. The state of nutrition education at US medical schools. J Biomed Educ. 2015; 2015(1):1-7.

Barros MB, Rodrigues BD, Porto LK, Ferreira IP, Botelho NM. Atitudes e Conhecimentos de Estudantes de Medicina sobre Nutrição Clínica. Rev Bras Educ Med. 2019; 43(1):127-34.

Kushner RF, Van Horn L, Rock CL, Edwards MS, Bales CW, Kohlmeier M, et al. Nutrition education in medical school: a time of opportunity. Am J Clin Nutr. 2014; 99(5):1167S-73S.

Gadenz SD, Harzheim E, Castro SMDJ, Hauser L, Drehmer M. Elaboração e validação de uma medida para avaliar o conhecimento de médicos de atenção primária do Brasil sobre recomendação nutricional para controle da hipertensão. Cad Saúde Colet. 2019; 27(4):404-11.

Lindemann IL, Mendoza-Sassi RA. Orientação para alimentação saudável e fatores associados entre usuários da atenção primária à saúde no sul do Brasil. Revista Brasileira em Promoção da Saúde. 2016; 29(1): 34-42.

Santos RP, Horta PM, Souza CS, Santos CA, Oliveira HBS, Almeida LMR, et al. Aconselhamento sobre alimentação e atividade física: prática e adesão de usuários da atenção primária. Rev Gaúch Enferm. 2012;33(4):14-21.

Guimarães AB, Tapety FI, Martins MCC, Lago EC, Ramos CV. Formação do enfermeiro na atenção nutricional de usuários na estratégia saúde da família. Rev Enferm UFPI. 2015; 4(3):59-64.

WHO. Information note about intake of sugars recommended in the WHO guideline for adults and children. Geneva, 2015. [acesso em 2020 jun 2]. Disponível em: https://www.who.int/nutrition/publications/guidelines/sugar_intake_information_note_en.pdf?ua=1#:~:text=The%20World%20Health%20Organization's%20new,10%25%20of%20total%20energy%20intake.

Previdelli AN, Goulart RMM, Aquino, RC. Balanço de macronutrientes na dieta de idosos brasileiros: análises da Pesquisa Nacional de Alimentação 2008-2009. Rev Bras Epidemiol. 2017; 20(1); 70-80.

Zanetti ML, Arrelias CCA, Franco RC, Santos MAD, Rodrigues FFL, Faria HTG. Adesão às recomendações nutricionais e variáveis sociodemográficas em pacientes com diabetes mellitus. Rev Esc Enferm USP. 2015; 49(4): 619-25.

Dyson PA, Twenefour D, Breen C, Duncan A, Elvin E, Goff L, et al. Diabetes UK evidence‐based nutrition guidelines for the prevention and management of diabetes. Diabetic medicine. 2018; 35(5):541-47.

Rietsema S, Eelderink C, Joustra ML, van Vliet IM, van Londen M, Corpeleijn E, et al. Effect of high compared with low dairy intake on blood pressure in overweight middle-aged adults: results of a randomized crossover intervention study. Am J Clin Nutr. 2019; 110(2):340-48.

Villaverde P, Lajous M, MacDonald CJ, Fagherazzi G, Boutron-Ruault MC, Bonnet F. Dairy product consumption and hypertension risk in a prospective French cohort of women. Nutr Jornal. 2020; 19(12):1-8.

Vissers LE, Sluijs I, van der Schouw YT, Forouhi NG, Imamura F, Burgess S, et al. Dairy product intake and risk of type 2 diabetes in EPIC-InterAct: a Mendelian randomization study. Diabetes care. 2019; 42(4):568-75.

Zhang Z, Hu G, Caballero B, Appel L, Chen L. Habitual coffee consumption and risk of hypertension: a systematic review and meta-analysis of prospective observational studies. Am J Clin Nutr. 2011; 93(6):1212-19.

Lima SML, Portela MC, Koster I, Escosteguy CC, Ferreira VMB, Brito C, et al. Utilização de diretrizes clínicas e resultados na atenção básica à hipertensão arterial. Cad Saúde Pública. 2009; 25(9): 2001-11.

Mion Junior D, Silva GVD, Gusmão JLD, Machado CA, Amodeo C, Nobre F, et al. Os médicos brasileiros seguem as diretrizes brasileiras de hipertensão? Arq Bras Cardiol. 2007; 88(2): 212-17.

Herforth A, Arimond M, Álvarez-Sánchez C, Coates J, Christianson K, Muehlhoff E. A global review of food-based dietary guidelines. Adv Nutr. 2019; 10(4): 590-605.

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

Borelli M, Domene SMA, Mais LA, Pavan J, Taddei JADAC. A inserção do nutricionista na Atenção Básica: uma proposta para o matriciamento da atenção nutricional. Ciênc Saúde Coletiva. 2015; 20, 2765-78.




DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2021.11195

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia