Busca por cuidados de saúde: itinerário terapêutico de crianças egressas de unidades neonatais

Hortênsia Coutinho da Rocha, Zeni Carvalho Lamy, Lia Cardoso de Aguiar, Joama Gusmão Pereira Moreira, Marina Uchoa Lopes Pereira, Yanca Lacerda Albuquerque, Tadeu de Paula Souza, Fernando Lamy-Filho

Resumo


Objetivo: Compreender os caminhos percorridos por mães e cuidadoras na busca pelo cuidado de crianças egressas de unidades neonatais. Métodos: Estudo qualitativo e exploratório, realizado entre maio e junho de 2018, com mães e cuidadoras de crianças nascidas entre 2014 e 2015, egressas de duas unidades neonatais públicas de uma capital do Nordeste brasileiro. Realizaram-se 14 entrevistas semiestruturadas, e se utilizou análise de conteúdo na modalidade temática. Apreenderam-se três categorias que evidenciam possíveis caminhos percorridos para o cuidado, perpassando, em sua maioria, pelos três setores: “O setor informal como ponto de partida para o cuidado”, “O uso do setor popular como prática de cura”, “O uso do setor profissional: alternativa para consulta”. Resultados: O setor informal foi o mais relatado pelas cuidadoras. Em geral, a primeira escolha era pela automedicação orientada de forma transgeracional, pelas avós. O uso do setor popular foi influenciado pelo conhecimento prévio das famílias e sua percepção do processo saúde-doença. A cultura biomédica perpassou os três setores e influenciou na construção do itinerário terapêutico. No setor profissional identificou-se vínculo frágil, principalmente na atenção primária. Conclusão: Os caminhos percorridos por mães e cuidadoras de egressos de unidades neonatais apontaram sobreposição da medicalização em detrimento dos saberes populares. Acolher e manejar os repertórios sociais e culturais das famílias pode contribuir para fortalecer vínculos terapêuticos com o setor profissional. A Atenção Primária à Saúde precisa ser fortalecida para garantir a qualificação do cuidado às crianças.

Palavras-chave


Atenção à Saúde; Cuidado da Criança; Medicina Tradicional; Automedicação; Unidades de Terapia Intensiva Neonatal

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DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2021.11708

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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