Repercussão do trabalho infantil urbano na saúde de crianças e adolescentes - 10.5020/18061230.2013.p9

Ana Claudia Martins, Débora Pastore Bassitt, Kátia da Silva Wanderley, Mayra dos Santos Silva

Resumo


Objetivo: Analisar a saúde de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantilurbano. Métodos: Participaram do estudo 32 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idadeinscritos no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) de três diferentes regiõesda cidade de São Paulo. Os participantes foram avaliados individualmente, através de umaanamnese ocupacional, sistematizada por ficha de avaliação, para coleta de dados referentesà atividade laboral e foi aplicada a Escala de Estresse Infantil (EEI). A análise estatística dosdados foi realizada com os softwares EVOC 2000 e SPSS. Resultados: Verificou-se que areciclagem foi a ocupação predominante, totalizando 59,38% (19) da amostra, e o métodocoletivo teve predominância em relação ao individual. Mais de 90% (29) dos participantesutilizavam equipamentos de proteção na atividade laboral e 71,88% (23) deles não sentemfalta da ocupação exercida. Entre os participantes que apresentaram sinais significativos deestresse, a maioria trabalha ou trabalhava com reciclagem e ainda exerce a atividade laboral.Quando analisada a Escala de Estresse Infantil, observou-se que há mais sinais de estresseem trabalhadores infantis quando comparados aos ex-trabalhadores e existe correlaçãosignificativa entre trabalho e estresse (p=0,008). Conclusões: Observou-se que a atividadelaboral na infância pode causar transtornos de natureza psicofisiológica e, apesar de aamostra ter sido pequena, foram apontadas questões deletérias dessa atividade para criançase adolescentes. Foi evidenciado ainda que, embora um grande percentual seja incluído noprograma, eles permanecem exercendo a atividade laboral.

Palavras-chave


Trabalho de Menores; Saúde do Trabalhador; Políticas Públicas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/2613

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