Alimentação na escola e estado nutricional de estudantes do ensino fundamental

Jeani Tedeschi Ferreira, Joana Lemos, Simone Morelo Dal Bosco, Fernanda Scherer

Resumo


Objetivo: Relacionar o estado nutricional e o sexo de estudantes do ensino fundamental ao consumo da alimentação escolar gratuita, comprada nas cantinas e trazida de casa. Métodos: Estudo observacional, transversal, realizado em 2013 com 120 estudantes do 5° ao 9° ano de duas escolas municipais de ensino fundamental de um município gaúcho. Aplicou-se questionário estruturado para investigação acerca da alimentação escolar gratuita, comprada na escola ou trazida de casa. Foram aferidos peso, altura e circunferência da cintura (CC). Analisou-se a distribuição dos percentis do índice de massa corporal (IMC) e classificou-se o estado nutricional utilizando-se o Teste Exato de Fisher para análise. Resultados: Estudantes do sexo feminino (n=36; 46,8%) referiram não consumir a alimentação escolar gratuita porque não gostam, e os estudantes do sexo masculino (n=22; 51,2%), porque não sentem fome (p=0,028). Com relação à alimentação comprada na escola, a preferência feminina (n=12; 27,9%) foi por guloseimas, e a masculina (n=21; 48,8%), por cachorro quente (p=<0,001). A maioria dos estudantes classificados como eutróficos (n=28; 33,3%) consumia a alimentação porque sentia fome, e os com sobrepeso/obesidade (n=24; 70,6%), porque a considerava saudável e nutritiva (p=0,028). Conclusão: Os estudantes eutróficos, com sobrepeso e obesidade de ambos os sexos consomem de 2 a 3 refeições gratuitas oferecidas na escola por semana e demonstram preferência por trazer de casa bolachas, salgadinhos e sanduíches com pão branco. O sexo feminino prefere refrigerantes, guloseimas, doces e bolos, enquanto o sexo masculino, cachorro quente.


doi: 10.5020/18061230.2014.p349

Palavras-chave


Alimentação Escolar; Estado Nutricional; Estudantes.

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DOI: https://doi.org/10.5020/2740

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