Análise da exposição de trabalhadores rurais a agrotóxicos

Danielle Ferreira de Siqueira, Romero Marinho de Moura, Glória Elizabeth Carneiro Laurentino, Anderson José de Araújo, Simara Lopes Cruz

Resumo


Objetivo: Analisar o uso e manuseio de agrotóxicos por trabalhadores rurais de dez comunidades do município de Vitória de Santo Antão-PE. Métodos: Estudo observacional seccional descritivo realizado no período de janeiro a julho de 2010 por meio da aplicação de questionário estruturado a uma amostra de conveniência cujo tamanho foi estimado com um nível de significância (α) de 5%, a fim de levantar variáveis relativas a dados pessoais, uso e manuseio de agrotóxicos. Resultados: Dos 230 trabalhadores rurais da região estudada, a maioria eram mulheres (n=157; 69,2%) que cursaram até o ensino fundamental incompleto (n=130; 57%). Foi observado que 141 (61,3%) trabalhadores entrevistados utilizavam agrotóxicos e apenas 3 (0,9%) aplicavam o produto com orientação de técnicos especialistas. Dos entrevistados, 97 (28,3%) desconhecem o período de carência, 67 (19,5%) a lei de reciclagem, 95 (27,7%) não usam equipamentos de proteção individual, 80 (23,3%) utilizam- se dos rios para lavagem dos equipamentos e 108 (31,5%) reutilizam as sobras das caldas. Conclusões: Ficam evidentes as exposições nocivas dos trabalhadores rurais que utilizam o produto e a permanente contaminação ambiental. Tais dados refletem um modelo agrícola que busca a produtividade e rendimento financeiro, sem a atenção adequada à promoção à saúde e à qualidade ambiental.


doi:10.5020/18061230.2013.p182

Palavras-chave


Praguicidas; Saúde do Trabalhador; Exposição a Praguicidas; Doenças dos Trabalhadores Agrícolas; Riscos Ocupacionais; Saúde Ambiental.

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