Promoção da saúde e as escolas: como avançar

Daniela Gardano Bucharles Mont'Alverne, Ana Maria Fontenele Catrib

Resumo


Nos campos de ação da promoção da saúde, descritos pela Carta de Ottawa em 1986, destaca-se a criação de ambientes favoráveis à saúde(1). Nesta linha de pensamento várias estratégias têm sido utilizadas para se implantar políticas de promoção da saúde, dentre elas, a Escola Promotora da Saúde.No ano de 1995, a Organização Pan-Americana da Saúde, Oficina Regional da Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) lançou oficialmente a Iniciativa Regional de Escolas Promotoras de Saúde. Desde então, todos os países da América Latina e do Caribe têm fortalecido suas ações de promoção da saúde na escola revendo as atividades desenvolvidas no campo da saúde escolar(2).
Para a escola ser denominada Escola Promotora da Saúde ela deve ter uma visão integral do ser humano, em especial as crianças e os adolescentes, dentro do seu ambiente familiar, comunitário e social. Ela deve desenvolver um ambiente saudável buscando relações construtivas e harmônicas, sendo capaz desta forma de despertar nos participantes aptidões e atitudes para a saúde, promovendo a autonomia, a criatividade e a participação dos alunos, bem como de toda a comunidade escolar(3).
Em nenhum outro momento histórico, falou-se tanto em saúde e promoção da saúde como no atual, ou seja, verifica-se a atribuição de promover saúde no ambiente escolar como elemento transformador da realidade.
A escola tem papel político fundamental neste contexto, pois é ali que se constrói, destrói ou se perpetua uma ideologia através da transmissão de valores e crenças, além de ser este, um ambiente propício para o desenvolvimento de ações educativas em saúde. É a infância o momento decisivo para a construção e solidificação dos hábitos e atitudes e, em vista disso, a importância do papel da escola como o ambiente potencializador para o desenvolvimento de um trabalho direcionado, sistematizado e permanente.
“Através da estratégia de Escola Promotora da Saúde, a saúde escolar tem a possibilidade de avançar e ampliar a sua concepção e práticas com uma visão integral e interdisciplinar do ser humano, dentro de um contexto comunitário, ambiental e político mais amplo”(4:6).
A Escola Promotora da Saúde busca através desenvolver conhecimentos, habilidades e destrezas para o autocuidado da saúde e a prevenção das condutas de risco. Além disto, cria estratégias educativas despertando por meio de uma análise crítica e reflexiva sobre os valores, condutas, condições sociais e estilos de vida, contribui para a melhoria da saúde e do desenvolvimento humano, colaborando para a construção da cidadania e democracia, e reforçando a solidariedade, o espírito de comunidade e os direitos humanos(3).
Segundo a Organização Panamericana de saúde, a promoção da saúde dentro do âmbito escolar tem três componentes principais, a educação para saúde de forma generalizada, a criação de entorno saudável e o fornecimento de serviços de saúde(4). Se pretendermos, efetivamente, promover saúde, podemos contar com a escola como parceira nessa jornada, e se pretendermos realizar ações efetivas deeducação em saúde na escola, temos que contar com o apoio e o envolvimento dos professores. O papel do professor, na escola, é complexo e merece destaque porque ele é um agente (trans)formador(3,4).A concretização de projetos de promoção da saúde no contexto escolar está apoiada no professor, o qual representa um elo importante e fundamental neste contexto, sendo um multiplicador de ideias, devendo estar capacitado para abordar o conceito de saúde preconizado nas Conferências Internacionais, VIII Conferência Nacional de Saúde, nas Políticas Públicas de Saúde e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)(1) através não só do domínio de informações, mas das estratégias educativas necessárias para a construção integrada do conhecimento.
No presente número da Revista Brasileira em Promoção da Saúde, apresenta-se um artigo que versa exatamente sobre a importância da criação de entorno saudável na rede
escolar, principalmente quando estas ações estão ocorrendo em uma região de baixo nível socioeconômico. Neste, demonstra-se que a criação de comportamentos saudáveis
desde o período pré-escolar além de ser importante impacta na vida saudável das crianças. Ações simples como atividades lúdicas na escola refletem em um aprendizado
que com certeza marcará a vida destas crianças, desde que sejam contínuas. A RBPS acredita que a capacitação dos professores e profissionais da saúde, através de suas páginas, contribuirá para ser um alicerce para o futuro da Escola Promotora de Saúde no Brasil, e um exemplo para outros países compartilharem esta idéia.


doi:10.5020/18061230.2013.p307

Palavras-chave


Promoção da saúde e as escolas: como avançar

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Referências


Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde. As Cartas da Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde,2002.

Ministério da Saúde (BR), Organização Pan-Americana da Saúde. Escolas promotoras de saúde: experiências do Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.

Organização Pan-Americana da Saúde - OPAS. Escuelas promotoras de la salud: entornos saludables y mejor salud para las generaciones futuras. Washington:OPAS, 1998.

Harada J, Mattos PCA, Pedroso GC, Moreira AMM, Guerra AB, Silva CS, et al. Cadernos de Escolas Promotoras de Saúde – I [acesso em 2013 Nov 8]. Disponível em: http://www.sbp.com.br/img/cadernosbpfinal.pdf.




DOI: https://doi.org/10.5020/2924

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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