Os efeitos do crescimento urbano sobre a dengue

Marco Aurélio Pereira Horta, Aldo Pacheco Ferreira, Robson Bruniera de Oliveira, Eduardo Dias Wermelinger, Fabrício Thomáz de Oliveira Ker, Ana Cristina Navarro Ferreira, Cristina Maria Sousa Catita

Resumo


Objetivo: Analisar a dinâmica espacial e temporal da dengue em Coronel Fabriciano, Minas Gerais, Brasil, e associar os casos ao crescimento das áreas urbanas e à perda de áreas naturais nos últimos anos. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de abordagem quantitativa. Os casos de dengue relativos a 2009 foram obtidos na Secretaria Municipal, incluindo-se os suspeitos e os confirmados. Obtiveram-se shape files contendo informações sobre o limite municipal, limite da área urbana, setores censitários, áreas com construções e áreas naturais. Com base na distribuição dos casos, o estimador de Kernel foi utilizado para medir sua dispersão. Resultados: Casos de dengue notificados foram georreferenciados em ambiente SIG (Sistema de Informações Geográficas). A paisagem mostrou mudanças nas unidades de zona urbana e pastagem, assim como crescimento urbano sobre a matriz de pastagem. Não foram observadas alterações nas áreas de floresta remanescente e eucalipto. Há casos distribuídos espacialmente com uma tendência a formar aglomerados. Conclusão: Observaram-se casos de dengue espacialmente agrupados na região norte da cidade, onde novos bairros surgiram nos últimos anos, acompanhando o crescimento populacional sem estrutura adequada de urbanização e planejamento. Além disso, o crescimento urbano reduziu a margem de cursos d’água e forneceu um solo nu, adequado para o acúmulo de lixo e a formação de criadouros de mosquitos. Fica mais uma vez constatado que políticas públicas eficientes e planejamento urbano adequado podem reduzir o impacto da dengue em regiões endêmicas.


doi: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2013.p539

Palavras-chave


Dengue; Aedes; Distribuição Espacial da População; Saúde Pública.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/3121

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