Maternidade deslocada: a gravidez, o aborto voluntário e a saúde feminina para mulheres imigrantes em Portugal

Cristianne Maria Famer Rocha, Camilo Darsie, Vivian Costa da Silva, Ana Paula Messa Koetz, Ana Filipa Gama, Sónia Ferreira Dias

Resumo


Objetivo: Identificar questões ligadas a temas como maternidade, gravidez, aborto voluntário e saúde feminina a partir da perspectiva de imigrantes brasileiras e africanas que vivem em Portugal. Métodos: Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa, realizado em Portugal, entre maio e junho de 2008, com 35 mulheres imigrantes (provenientes do Brasil e de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa – PALOP). As informações foram coletadas através de um questionário sociodemográfico e realização de grupo focal. Os dados foram analisados de acordo com o procedimento comum de análise de conteúdo. Emergiram disso duas categorias de análise: 1) Gravidez e Maternidade, e 2) Aborto Voluntário. Resultados: Participaram da pesquisa 15 brasileiras e 20 africanas, com idades entre 21 e 45 anos. As participantes brasileiras referem possuir maior nível de escolaridade em relação às mulheres africanas. Ambas, de maneira geral, passam por dificuldades diversas envolvendo gravidez, maternidade e aborto voluntário, principalmente pelas diferenças
socioculturais enfrentadas nos países em que vivem. Conclusão: É necessária a adoção de um modelo social de saúde positiva, centrado nas demandas dos indivíduos e da população, e, na medida do possível, adaptado às suas especificidades. Nesse sentido, é relevante que sejam desenvolvidos modelos que promovam a participação dos imigrantes na elaboração de ações de promoção da saúde nessa área.

doi:http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2013.p470

Palavras-chave


Migração Internacional; Saúde da Mulher; Aborto; Promoção da Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/3123

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