Ser cuidador de familiar com câncer de cabeça e pescoço

Isabel de Melo Honório, Flávia Oliveira de Almeida Marques da Cruz, Elaine Barros Ferreira, Cristine Alves Costa de Jesus, Christiane Inocêncio Vasques, Juciléia Rezende de Souza, Paula Elaine Diniz Reis

Resumo


Objetivo: Conhecer a percepção de cuidadores informais sobre o cuidar de um familiar acometido por neoplasia maligna de cabeça e pescoço. Métodos: Estudo qualitativo realizado no período de março a maio de 2014, no ambulatório de radioterapia do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do Hospital Universitário de Brasília (HUB)-Brasil, baseado em entrevista semiestruturada com nove cuidadores. Os dados foram submetidos à Análise de Conteúdo, sendo identificadas quatro unidades de significado: “Representação do câncer na família”, “O cuidado visto como dívida, recompensa individual ou reconstituição do elo familiar”, “Repercussões do câncer na vida pessoal do cuidador” e “Rede e apoio sociais utilizados pelos cuidadores”. Resultados: Foram atribuídos ao câncer sentimentos de tristeza e surpresa diante do diagnóstico, bem como a ideia de castigo. O cuidar foi visto como satisfação pessoal, dever cumprido e oportunidade de reaproximação familiar. Sobrecarga e mudança na rotina foram funções alteradas. Religiosidade, troca de experiência na sala de espera e apoio institucional apareceram como estratégias de enfrentamento. Conclusão: A experiência de cuidar de familiar com câncer de cabeça e pescoço tem interferência direta na vida dos cuidadores. O acolhimento institucional ser apontado como uma estratégia dentro da rede social reforça a importância de integrar os cuidadores como parte significativa do plano de cuidados traçado pela equipe de saúde.

Palavras-chave


Neoplasias; Neoplasias de Cabeça e Pescoço; Cuidadores; Enfermagem Oncológica; Relações Familiares.

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DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2015.p337

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Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

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