Frequência de hábitos alimentares saudáveis entre estudantes de uma universidade pública do Nordeste do Brasil

Natanael de Jesus Silva, Adelson Alves Oliveira-Júnior, Oscar Felipe Falcão Raposo, Danielle Góes da Silva, Raquel Simões Mendes-Netto, Kiriaque Barra Ferreira Barbosa

Resumo


Objetivo: O objetivo deste estudo foi medir a frequência de hábitos alimentares saudáveis entre estudantes de uma universidade pública do Nordeste do Brasil. Métodos: Este é um estudo transversal de base populacional. A amostra foi aleatoriamente composta por 993 graduandos, ambos os sexos e idade entre 18 e 35 anos. A frequência de hábitos alimentares saudáveis foi avaliada a partir da adesão aos 10 Passos para a Alimentação Saudável propostos pelo Ministério da Saúde do Brasil. A frequência de cada passo foi coletada por meio de perguntas compiladas a partir de publicações prévias. Resultados: Os passos da alimentação saudável, que tiveram as menores frequências de adesão, estiveram relacionados à prática de adicionar sal aos alimentos prontos (18,6%, n=185) e ao consumo de frutas e hortaliças (28,3%, n=281) e de alimentos gordurosos (21,5%, n=213) e ricos em açúcar (48,9%, n=486). No entanto, observou-se um adequado consumo de feijão (83,8%, n=832) e a prevalência de estado nutricional eutrófico de 69,6% (n=691) entre os estudantes. Nenhum dos indivíduos entrevistados aderiu a todos os passos da alimentação saudável. A taxa média de adesão foi de, pelo menos, 6 passos. Homens e mulheres apresentaram hábitos e preferências alimentares distintos. Conclusão: Os estudantes universitários apresentaram baixa frequência de hábitos alimentares saudáveis devido à alta ingestão de alimentos ricos em gordura e açúcar e devido, principalmente, ao baixo consumo de frutas e vegetais e a prática de adição de sal aos alimentos já preparados. Isto pode, por sua vez, predispô-los a um maior risco de morbidade e mortalidade por doenças não transmissíveis.

Palavras-chave


Estudantes; Hábitos Alimentares; Estado Nutricional; Fidelidade a Diretrizes; Promoção da Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2016.p227

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