Relação do desequilíbrio postural com incapacidade cervical em pessoas com deficiência visual

Evandro Marianetti Fioco, Edson Donizetti Verri, Cesar Augusto Bueno Zanella, Claudio Pereira Bidurin, Maria Georgina Marques Tonello

Resumo


Objetivo: Identificar a relação entre o desequilíbrio postural e a incapacidade cervical em pessoas com deficiência visual. Métodos: Estudo transversal retrospectivo, realizado na Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto, SP, Brasil, no período entre janeiro de 2014 e dezembro de 2014, com 26 participantes, de ambos os sexos, com idade média de 31,92 anos, apresentando deficiências visuais total ou parcial. Realizou-se a avaliação postural por meio da biofotogrametria associada ao Neck Desability Index (NDI), que identifica incapacidade cervical. Para avaliar a significância estatística de 5%, realizou-se o teste de independência de Chi-quadrado. Resultados: Na vista anterior, houve inclinação cervical à esquerda em 2,82cm. Na vista posterior, houve elevação de ombro esquerdo em relação ao direito em 9,15cm. Nas vistas laterais direita e esquerda, encontraram-se flexoextensão cervical de 2,44cm da cabeça em relação à coluna cervival e hipercifose torácica de 0,67cm. Encontrou-se diferença do alinhamento escapular do lado direito em relação ao esquerdo em 5,08cm. O NDI evidenciou 33,3% com incapacidade mínima devido à dor, enquanto 66,7% não apresentam incapacidade. Conclusão: Encontraram-se alterações posturais compensatórias adotadas pelos deficientes visuais analisados na tentativa de ajustar o centro de gravidade. No entanto, essas alterações posturais não coincidem com incapacidade cervical e dor.

Palavras-chave


Transtornos da Visão; Postura; Pessoas com Deficiência

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2010: características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro:IBGE; 2010.

Chen T, Michels L, Supekar K, Kochalka J, Ryali S, Menon V. Role of the anterior insular cortex in integrative causal signaling during multisensory auditory–visual attention. Eur J Neurosci. 2015;41(2):264-74.

Silva MB, Shimano SGN, Oliveira CCES, Conti V, Oliveira NML. Avaliação das alterações posturais e retrações musculares na deficiência visual: estudo de caso. Saúde Colet (Barueri). 2011;8(49):77-82.

Amantea D, Novaes AP, Campolongo GD, Barros TP. A importância da avaliação postural no paciente com disfunção da articulação temporomandibular. Acta Ortop Bras. 2004;12(3):155-9.

Oliveira RL. Estudo clínico e eletromiográfico de músculos cervicais em mulheres com e sem disfunção temporomandibular [dissertação]. Piracicaba: Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Odontologia de Piracicaba. 2011.

Biasotto-Gonzalez DA, Andrade DV, Gonzalez TO, Martins MD, Fernandes KP, Corrêa JCF, et al. Correlação entre disfunção temporomandibular, postura e qualidade de vida. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum. 2008;18(1):79-86.

Myers TW. Trilhos anatômicos meridianos miofasciais para terapeutas manuais e do movimento. 1ª ed. Barueri; Manole; 2003. 8. Braccialli LMP, Vilarta R. Aspectos a serem considerados na elaboração de programas de prevenção e orientação de problemas posturais. Rev Paul Educ Fís. 2000;14(1):16-28.

Bertolini SMMG, Polyana M, Paula KP. Postura corporal: aspectos estruturais funcionais para promoção da saúde. Saúde Pesquisa 2015;8(1):125-30.

Soares JC, Weber P, Trevisan ME, Trevisan CM, Mota CB, Rossi AG. Influência da dor no controle postural de mulheres com dor cervical. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2013;15(3):371-81.

Pereira M. Contribuição para a adaptação cultural do Neck Disability Index e caraterização da prática de fisioterapia em pacientes com Dor Crónica Cervical. [dissertação]. Setubal: Instituto Politécnico de Setubal; 2012.

Salomão SR, Mitsuhiro MRKH, Belfort R Jr . Visual impairment and blindness: an overview of prevalence and cases in Brazil. An Acad Bras Ciênc 2009;81(3):539-49.

Tyler ME, Danilov YP, Bach-y-rita P. Systems and methods for altering brain and body functions and for treating conditions and diseases of the same. U.S. Patent Application. 2015. n. 14/692,419.

Pereira L. Definição e classificação: sobre o conceito de deficiência visual. Ludens. 1980(4):37-40.

Fadamiro CO. Causes of blindness and career choice among pupils in a blind school; South Western Nigeria. Ann Afr Med. 2014;13(1):16-60.

Camelo EMPDF, Uchôa DM, Uchoa SJFF, Vasconcelos TBD, Macena RHM. Use of softwares for posture assessment: integrative review. Coluna/Columna 2015;14(3):230-5.

Mascarenhas CHM, Sampaio LS, Reis LA, Oliveira. TS. Alterações posturais em deficientes visuais no município de Jequié/BA. Espaç Saúde. 2009;11(1):1-7.

Howley E, Franks B. Health fitness instructor´s handbook. 2nd ed. Champaign: Human Knects Book;1992.

Cook C, Richardson JB, Ragal L, Menezes A, Soler, X., Kume, P. Cross-cultural adaptation and validation of the Brazilian Portuguese version of the neck disability index and neck pain and disability scale. Spine (Phila Pa 1976). 2006;31(14):1621-7.

Vernon H, Mior S. The neck disability Index: a study of reliability and validity. J Manipulative Physiol Ther. 1991;14(7):409-15.

Falavigna A, Teles AR Braga GL, Barazzetti DO, Lazzaretti L, Tregnago AC. Instrumentos de avaliação clínica e funcional em cirurgia da coluna vertebral. Coluna/Columna. 2011;10(1):62-67.

Sichellingerhout JM, Verhagen AP, Heymans MW, Koes BW, Vet HC, Terwee CB. Measurement properties of disease-specific questionnaires in patients with neck pain: a systematic review. Qual Life Res. 2012;21(4):659-70.

Souza, JA, Pasinato F, Basso D, Corrêa ECR, Silva AMT. Biofotogrametria confiabilidade das medidas do protocolo do software para avaliação postural (SAPO). Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2011;13(4):299-305.

Viel E. A marcha humana, a corrida e o salto: biomecânica, investigações, normas e disfunções. Manole Barueri: São Paulo; 2001.

Simprini R, Braccialli LP. Influência do sistema sensório-motor na manutenção da postura estática em indivíduos cegos. Infanto Rev Neuropsiquiatr Infanc Adolesc. 1998;6(Supl 1):26-38.

Sanchez HM, Barreto RR, Baraúna MA, Canto RST, Morais EG. Avaliação postural de indivíduos portadores de deficiência visual através da biofotogrametriacomputadorizada. Fisioter Mov. 2008;21(2):11-20.

Rocha MCNR, Nogueira VC, Pacheco MTT, Albertini R. Análise das principais alterações posturais encontradas em portadores de deficiência visual. In: Anais INIC-UNIVAP 2008. São José dos Campos: UNIVAP; 2008. p. 1-4 [acesso em 2016 Abr 20]. Disponível em: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2008/anais/arquivosINIC/INIC0673_02_O.pdf

Lee HY, Wang JD, Yao G, Wang SF. Association between cervicocephalic kinesthetic sensibility and frequency of subclinical neck pain. Man Ther. 2008;13(5):419-25.

Silva JA, Ribeiro-Filho NP. A dor como um problema psicofísico. Rev Dor. 2011;12(2):138-51.

Bonney RA, Corlett EN. Head posture and loading of the cervical spine. Appl Ergon. 2002;33(5):415-7.

Yip CH, Chiu TT, Poon AT. The relationship between head posture and severity and disability of patients with neck pain. Man Ther. 2008;13(2):148-54.




DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2016.p525

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia