O impacto de fatores psicossociais do trabalho sobre a saúde e a capacidade de trabalho dos agentes de trânsito municipais

Aldo Pacheco Ferreira, Ana Paula Carneiro Carvalho

Resumo


Objetivo: Analisar o impacto de fatores psicossociais no trabalho sobre a saúde e a capacidade de trabalho dos agentes de trânsito municipais. Métodos: Um estudo transversal foi realizado com uma amostra de 118 indivíduos no município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 2014. Eles responderam dois questionários: Índice de Capacidade para o Trabalho - ICT e Copenhagen Psychosocial Questionnaire - COPSOQ. Estes questionários coletaram informações sobre o quão bem um trabalhador é capaz de realizar o seu trabalho e sobre os fatores psicossociais no trabalho, na saúde e no bem-estar do trabalhador. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o cálculo de medidas de tendência central e dispersão. Resultados: A análise de objetividade, de aceitação, de viabilidade, de sensibilidade e de validade de conteúdo do questionário como um todo não mostrou resultados problemáticos, com algumas limitações quanto ao comprimento deles. Observou-se uma associação significativa entre a ICT e COPSOQ. A prevalência de boa capacidade de trabalho está entre os indivíduos com idades entre 31 e 50 anos (p = 0,012). No entanto, quanto à satisfação no trabalho, 28 (23,73%) denotaram estar satisfeitos, 74 (62,71%) intermediariamente e 16 (13,56%) insatisfeitos. O índice de capacidade foi de 36,8 pontos, e da prevalência de boa capacidade para o trabalho foi 76,27%. Conclusão: Os resultados revelaram que uma melhor saúde física e mental está associada a maiorcapacidade de trabalho representando que, quanto melhor a saúde do trabalhador, maior a sua capacidade de trabalho. O ambiente de trabalho psicossocial e, especialmente, a autonomia de decisão foram, portanto, determinantes importantes da qualidade de vida auto-avaliada nesse grupo de agentes de trânsito.

Palavras-chave


Avaliação da Capacidade de Trabalho; Impacto Psicossocial; Política de Saúde; Promoção da Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2016.p472

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