Análise da situação em saúde: a mortalidade fetal na 10ª região de saúde do Ceará

Katherine Jeronimo Lima, Cristianne Soares Chaves, Edsângelo de Oliveira Gomes, Maria Aparecida de Lima, Ellany Cristina Pascôa Candeira, Fiama Kécia Silevira Teófilo, Glaucilândia Pereira Nunes, Radmila Alves Alencar Viana

Resumo


Objetivo: Analisar a situação de saúde, no contexto da mortalidade fetal, na 10ª Região de Saúde do Ceará. Métodos: Estudo transversal, descritivo, retrospectivo, com informações referentes a 71 óbitos fetais de mães residentes da 10ª Região de Saúde do Ceará, ocorridos no período de 2012 a 2013. Utilizaram-se dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade e das Fichas de Investigação do Óbito Fetal, que foram analisados em frequências absolutas e relativas. Resultados: Observou-se que 52,1% (n=37) das mortes fetais ocorreram em mulheres com menos de 30 anos. Das mães, 35,2% (n=25) eram primigestas, 49,3% (n=35) iniciaram o pré-natal antes de 12 semanas gestacionais e 64,7% (n=46) tiveram complicação na gestação. Dos partos, 36,6% (n=26) deles ocorreram entre 37 e 41 semanas de gestação, e 67,6% (n=48) por via vaginal. Dos natimortos, 31% (n=22) tinham peso acima de 2.500g, e 38% (n=28) tiveram hipóxia intrauterina como causa básica da morte. Conclusão: A situação de saúde quanto à mortalidade fetal evidenciou alta taxa de óbitos no ano de 2013 (14,5/1.000 nascimentos), cujas mães eram jovens, primigestas e com complicações gestacionais, com mortes ocorridas antes do parto, baixo peso e hipóxia intrauterina.

Palavras-chave


Morte Fetal; Assistência Pré-Natal; Assistência à Saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2017.p30

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