Elevação de níveis pressórios em uma comunidade quilombola

Ilka Kassandra Pereira Belfort, Maurício Fernandes Avelar, Jomar Diogo Costa Nunes, Sally Cristina Moutinho Monteiro

Resumo


Objetivo: Verificar a prevalência da elevação dos níveis de pressão arterial em uma comunidade remanescente de quilombo. Métodos: Estudo transversal descritivo, quantitativo, com amostra não probabilística, desenvolvido na Comunidade Quilombola Boca da Mata (Maranhão), no período de dezembro de 2013 a abril de 2014, com 67 famílias, por meio de coleta de dados sócio-demográficos e de saúde/doença, além da aferição da pressão arterial e da medida do peso e da altura. Para verificar a relação entre variáveis, aplicou-se o teste do Qui-Quadrado com p≤0,05. Resultados: Amostra composta de 74 indivíduos com média de idade de 43 anos (±19,17), sendo 63,51% (n=47) mulheres e 36,49% (n=27) homens. Observou-se que 36,49% (n=27) dos participantes apresentaram elevação dos níveis pressóricos e, desses, 17,57% (n=13) possuíam diagnóstico prévio de hipertensão arterial, bem como referiram uso de medicação anti-hipertensiva. Os participantes previamente diagnosticados como hipertensos, 38,4% (n=5), não apresentaram pressão arterial controlada (maior que 140/90 mmHg). Dentre os participantes com pressão arterial alterada, 42,55% (n=20) eram do sexo feminino. Em relação aos dados antropométricos, o índice de massa corporal apresentou média de 23,43 Kg/m2, onde 22,22% (n=18) apresentavam excesso de peso. Conclusão: Existe nesta comunidade uma alta prevalência de quilombolas com níveis pressóricos elevados.

Palavras-chave


Hipertensão; Atenção Primária à Saúde; Saúde Pública.

Texto completo:

PDF PDF (English)

Referências


Mills KT, Bundy JD, Kelly TN, Reed JE, Kearney PM, Reynolds K, et al. Global burden of hypertension: analysis of population-based studies from 89 countries. J Hypertens [Internet]. 2015 [acesso em 2013 Mar 1];131(10). Disponível em: http://journals.lww.com/jhypertension/Abstract/2015/06002/Global_Burden_of_Hypertension___Analysis_of.6.aspx

World Health Organization. World Health Statistics. 2012 [acesso em 2013 Mar 1]. Disponível em: http://who.int/gho/publications/world_health_statistics/2012/en/index.html

Velten APC, Moraes AN, Oliveira ERA, Melchiors AC, Secchin CMC, Lima EFA. Qualidade de vida e hipertensão em comunidades quilombolas do norte do Espírito Santo, Brasil. Rev Bras Pesqui Saúde. 2013;5(1):9-16.

Ministério da Saúde (BR), Departamento de Análise de Situação da Saúde. Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil 2011-2022. Brasília: Ministério da Saúde; 2011 [acesso em 2016 Fev 2]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_acoes_enfrent_dcnt_2011.pdf

Sociedade Brasileira de Cardiologia. VII Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2016 [acesso em 2016 Fev 2];107(3). Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/05_HIPERTENSAO_ARTERIAL.pdf

Kankeu HT, Saksena P, Xu K, Evans DB. The financial burden from non-communicable diseases in low- and middle-income countries: a literature review. Health Res Policy Syst. 2013;11:31.

Brandão AA. Conceituação, epidemiologia e prevenção primária. J Bras Nefrol. 2010;32(Supl 1):1-4.

Bezerra VM, Andrade ACS, César CC, Caiaffa WT.Desconhecimento da hipertensão arterial e seus determinantes em quilombolas do sudoeste da Bahia, Brasil. Ciênc Saúde Coletiva. 2015;20(3):797-807.

Lotufo PA, Bensenor IJM. Raça e mortalidade cerebrovascular no Brasil. Rev Saúde Pública. 2013;47(6):1201-4.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BR). Censo demográfico 2010. Características da população e dos domicílios. Resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE; 2011.

Bezerra VM, Andrade ACS, César CC, Caiaffa WT. Comunidades quilombolas de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil: hipertensão arterial e fatores associados. Cad Saúde Pública. 2013;29(9):1889-902.

Brasil. Decreto no 4887, de 20 de novembro de 2003. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Diário Oficial da União 21 nov 2003.

Lohman TG, Roche AF, Martorell. Anthropometric standardization reference manual. Human Kinetics. Illinois; 1998.

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Orientações para coleta e analises de dados antropométricos em serviço de saúde: Norma técnica do sistema de vigilância alimentar e nutricional – SISVAN. Brasília: Ministério da Saúde; 2011.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atlas corações do Brasil. São Paulo; 2010 [acesso em 2016 Mar 9]. Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/programas/Atlas_CoracoesBrasil.pdf

Batista LEB, Werneck J, Lopes F. Saúde da população negra. 2ª ed. rev e ampl. Brasília: Associação Brasileira de Pesquisadores Negros; 2012.

Bezerra VM, Medeiros DS, Gomes KO, Souzas R, Giatti L, Steffens AP, et al. Inquérito de saúde em comunidades quilombolas de Vitória da Conquista/BA (Projeto COMQUISTA): aspectos metodológicos e análise descritiva. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(6):1835-47.

Silva TSS, Bomfim CA, Leite TCR, Moura CS, Belo NO, Tomazi L, et al. Hipertensão arterial e fatores associados em uma comunidade quilombola da Bahia, Brasil. Cad Saúde Colet (Rio de J). 2016;24(3):376-83.

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política para o SUS. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

Varga IVD, Cardoso RLS. Controle da hipertensão arterial sistêmica na população negra no Maranhão: problemas e desafios. Saúde Soc. 2016;25(3):664-71.

Nascente FMN, Jardim PCBV, Peixoto MRG, Monego ET, Moreira HG, Vitorino PVO, et al. Hipertensão arterial e sua correlação com alguns fatores de risco em cidade brasileira de pequeno porte. Arq Bras Cardiol. 2010;95(4):502-9.

World Health Organization. World health statistics 2012: noncommunicable diseases: a major health challenge of the 21st century. Geneva: WHO; 2012.

Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2016. 4ª ed. Itapevi: AC Farmacêutica; 2016.

Conte FA. Efeitos do consumo de aditivos químicos alimentares na saúde humana. Rev Espaço Acadêmico. 2016;16(181):69-81.

Verdélio A. Estudo mostra que 41% dos quilombolas estão em situação de insegurança alimentar. Agência Brasil, 2014 [acesso em 2017 Maio 16]. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-11/mais-da-metade-da-populacao-de-comunidades-quilombolas-passa-fome.

Gobato AO, Vasques ACJ, Zambon MP, Barros AA Filho, Hessel G. Síndrome metabólica e resistência à insulina e adolescentes obesos. Rev Paul Pedriatr. 2014;32(1):55-62.




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2017.6135

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Rev Bras Promoç Saúde, Fortaleza - Ceará - Brasil - e-ISSN: 1806-1230

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia