Acesso à assistência pré-natal no Brasil: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde

Aryelly Dayane da Silva Nunes, Ana Edimilda Amador, Ana Patrícia de Queiroz Medeiros Dantas, Ulicélia Nascimento de Azevedo, Isabelle Ribeiro Barbosa

Resumo


Objetivo: Analisar o acesso à assistência pré-natal no Brasil a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013. Métodos: Estudo transversal com análise descritiva dos dados da PNS 2013, coletados no DATASUS entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017. Responderam à pesquisa mulheres de 18 a 49 anos de idade que tiveram algum parto entre 01/01/2012 a 27/07/2013. A cobertura do pré-natal foi definida pela proporção de mulheres que responderam positivamente ao questionamento: “Na última vez que a senhora esteve grávida, a senhora fez pré-natal?”. Os dados coletados foram: assistência pré-natal, idade, cor da pele, grau de instrução, aconselhamentos, recebimento do cartão pré-natal, consultas realizadas, assistência ao parto por região ou unidade da federação. Resultados: Houve elevada cobertura do acompanhamento pré-natal (97,4% IC95% 96,5-98,4), com entrega do cartão pré-natal (95,3% IC95% 93,6-97,0) e início de pré-natal com menos de 13 semanas de gestação (83,7% IC95% 80,7-86,6), porém baixa proporção de gestantes com todos os aconselhamentos (69,2% IC95% 65,5-72,9) e com exames para Sífilis (64,8% IC95% 61,0-68,7). Entre as que realizaram o pré-natal, 69,33% das gestantes indicaram que todas as consultas foram feitas através do Sistema Único de Saúde. As regiões Norte e Nordeste apresentaram maior proporção de partos vaginais, porém menor número de consultas de pré-natal por gestante. Conclusão: Apesar de elevada cobertura da assistência pré-natal no Brasil, os indicadores mostram que ainda há inadequações no acesso ao serviço.

Palavras-chave


Cuidado Pré-Natal; Saúde da Mulher; Acesso aos Serviços de Saúde; Avaliação de programas e projetos de saúde.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2017.6158

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