Diferenças no consumo de alimentos entre homens e mulheres entrevistados pelo inquérito telefônico VIGITEL

Gabriela Dalcin Durante, Lenir Vaz Guimarães, Neuber José Segri, Maria Sílvia Amicucci Soares Martins, Deborah Carvalho Malta

Resumo


Objetivo: Analisar a frequência de consumo de alimentos marcadores de dieta saudável e não saudável entre homens e mulheres adultos e os fatores demográficos e socioeconômicos associados. Métodos: Estudo de corte transversal, de base populacional, com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas não Transmissíveis por Inquérito Telefônico (Vigitel). Foram incluídos 1.005 adultos (400 homens e 605 mulheres), de 20 a 59 anos, residentes em Cuiabá, Mato Grosso, entrevistados entre fevereiro e dezembro de 2014. As variáveis do estudo foram o consumo de alimentos marcadores de dieta saudável e não saudável e variáveis demográficas e socioeconômicas. Na análise de dados, utilizou-se análise bivariada por meio do teste de qui-quadrado (Rao-Scott) e teste de tendência linear. Resultados: A média de idade dos participantes foi de 37,9 anos para mulheres e 36,3 anos para os homens, dos quais 50,9% (n=605) eram mulheres, 60,0% (n=455) eram adultos jovens, de 20 a 39 anos, e de raça/cor preta ou parda (69,7%; n= 569). Maior consumo regular de frutas e hortaliças foi observado entre mulheres (p=0,01), entre aquelas de maior escolaridade e da raça/cor branca, e maior consumo de feijão foi observado entre os homens (p=0,04). O consumo de carnes com excesso de gordura foi maior entre os homens (p<0,01), assim como o consumo regular de doces (p=0,02) e a substituição das refeições principais por lanches foi maior entre as mulheres (p=0,01), ambos diretamente associados à escolaridade. Conclusão: Verificaram-se diferenças importantes no consumo de alimentos entre homens e mulheres residentes em Cuiabá, Mato Grosso. A escolaridade e a raça/cor foram variáveis que se associaram à maioria dos marcadores de consumo alimentar.

Palavras-chave


Consumo de Alimentos; Inquéritos Epidemiológicos; Vigilância em Saúde Pública.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2017.6165

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