Prevalência e fatores associados às anomalias congênitas em recém-nascidos

Elzo Pereira Pinto Junior, Leandro Alves da Luz, Marina Aguiar Pires Guimarães, Lívia Teixeira Tavares, Tatiana Ribeiro Santos Brito, Gabriela Di Filippo Souza

Resumo


Objetivo: Descrever a prevalência e analisar os fatores associados às anomalias congênitas em recém-nascidos (RN). Métodos: Estudo transversal com base em 33.141 declarações de nascidos vivos (DNVs) de bebês cujas mães eram residentes em Salvador, Bahia, em 2014. Inicialmente foi realizada uma análise descritiva, seguida de análise bivariada da associação entre anomalias congênitas e características maternas, gestacionais e dos RN, com estimação de razão de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Após a análise bivariada, procedeu-se a análise de regressão logística multivariada. Resultados: A prevalência de anomalias congênitas foi 1,0%, sendo as principais causas condições ligadas ao sistema osteomioarticular (52,1%). A análise multivariada evidenciou maior prevalência de anomalias em recém-nascidos do sexo masculino (RP=1,40; IC95%:1,12-1,74), com baixo peso ao nascer (RP=2,34; IC95%:1,77 - 3,08) e escore de Apgar insatisfatório ao quinto minuto (RP=3,34; IC95%: 2,30 – 4,82), cujas mães tinham menos de 18 anos ou mais de 35 anos (RP=1,69; IC95%: 1,17-2,43) e realizaram parto cesárea (RP=1,46; IC95%:1,17-1,83). Conclusão: Encontrou-se baixa prevalência de malformações congênitas, sendo esse desfecho associado às mães em extremo de idade e quadro clínico adverso ao nascimento, como baixo peso e Apgar insatisfatório.

Palavras-chave


Anomalias Congênitas; Fatores de Risco; Recém-nascido; Epidemiologia; Sistemas de Informação em Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.5020/18061230.2017.6467

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