Idosos com depressão: uma análise dos fatores de institucionalização e apoio familiar

Maria Vieira de Lima Saintrain, Carina Barbosa Bandeira, Marina Arrais Nobre, Rafaela Lais Pesenti Sandrin

Resumo


Objetivo: Identificar a prevalência de depressão de idosos residentes em instituições de longa permanência (ILPI) e sua relação com os motivos de institucionalização. Métodos: Estudo quantitativo e transversal realizado em Fortaleza, Ceará, que utilizou um instrumento de coleta de dados elaborado para realizar avaliação clínica concernente à depressão maior, utilizando os critérios diagnósticos do Diagnostical and statistical manual of mental disorders (DSM-IV-TR). Serviu também para registrar os dados secundários obtidos dos prontuários dos pacientes idosos no intuito de complementar as informações relativas ao contexto da institucionalização. Resultados: Do total de idosos pesquisados, 82 (34,6%) apresentaram diagnóstico de Depressão Maior segundo os critérios do DSM-IV-TR. No diagnóstico de depressão por ILPI, verifica-se significância estatística entre as duas ILPI (p=0,042). Na associação verificada entre depressão e tempo de institucionalização (p=0,001), é importante destacar o maior percentual entre os idosos com até três anos de institucionalização (37,8% dos casos de depressão), levando se a considerar que o pouco tempo de afastamento familiar e o processo de adaptação ao novo tipo de moradia possam constituir fatores de risco para a doença. Conclusão: Os achados acima descritos aludem à ideia de que o tempo de institucionalização, a carência das relações interpessoais, a solidão e o fato de o idoso receber visitas de familiares neste período constituem fatores de risco para a depressão.

Palavras-chave


Depressão; Idoso; Institucionalização

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2018.8763

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