Triagem auditiva neonatal em hospital da Rede Cegonha

Luíza Silva Vernier, Carla Thamires Rodriguez Castelli, Shayenne Silveira Rothermel, Tatiana de Carvalho Paniz, Claudia Zanini, Daniela Centenaro Levandowski

Resumo


Objetivo: Avaliar o perfil de neonatos que realizaram triagem auditiva neonatal (TAN) e suas mães em um hospital público vinculado à Rede Cegonha, no que diz respeito às características sociodemográficas e aos desfechos de saúde. Métodos: Estudo transversal, retrospectivo e documental, baseado em dados de prontuários de um hospital materno-infantil da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A amostra foi composta por 1.818 díades mãe-bebê, que realizaram TAN no período de maio/2014 a maio/2015. Foram analisados os resultados da TAN e as características clínicas maternas e dos neonatos. Para a análise dos dados, utilizou-se o programa estatístico SPSS, versão 21.0. Resultados: Dos 1.818 neonatos que realizaram a TAN, 359 (19,74%) tinham algum indicador de risco para deficiência auditiva. Houve associação entre falha dos neonatos na TAN e indicadores de risco para deficiência auditiva (presença de HIV congênito, p=0,035; citomegalovírus congênito, p=0,048; e exposição a drogas ototóxicas, p=0,011) e entre ausência de algum indicador de risco para deficiência auditiva com disfunção respiratória (p=0,043) e sepse neonatal (p=0,021). Nos neonatos sem esses indicadores, essa associação aconteceu naqueles cujas mães tiveram infecção de trato urinário na gestação (p=0,015). Conclusão: Verificaram-se associações significativas entre falha na TAN e características maternas e do bebê que não são consideradas como indicadores de risco para deficiência auditiva.

Palavras-chave


Serviços de Saúde Materno-Infantil; Fonoaudiologia; Triagem Neonatal; Audição.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2019.8965

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