Risco para doenças cardiovasculares em mulheres detentas

Maria Helena Rodrigues Galvão, Elisama Araújo de Sena, Diego de Oliveira Costa, Ivoneide Lucena Pereira, Franklin Delano Soares Forte, Cláudia Helena Soares de Morais Freitas

Resumo


Objetivo: Traçar o perfil antropométrico e avaliar a presença de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas em mulheres em regime prisional fechado. Métodos: Estudo transversal, quantitativo e analítico, desenvolvido em um sistema prisional fechado, em uma capital do Nordeste brasileiro, do qual participaram 64 mulheres detentas. Coletaram-se os dados a partir de entrevista estruturada sobre o perfil e o consumo alimentar das mulheres, e foram aferidas medidas antropométricas: peso, estatura, circunferência do braço (CB), circunferência da cintura (CC) e circunferência do quadril (CQ). Resultados: As detentas eram adultas jovens, solteiras e possuíam baixa escolaridade. As doenças mais relatadas foram: hipertensão arterial, insuficiência coronariana e diabetes. A frequência de sobrepeso ou obesidade foi de 33,3% (n=13) e 56,0% (n=14) nas faixas etárias até 30 anos (G1) e acima de 30 anos (G2), respectivamente. Quanto ao risco, levando-se em consideração a CC, 3,3% (n=6) e 40,0% (n=10) apresentaram risco muito elevado de complicações metabólicas associadas à obesidade nos grupos G1 e G2, respectivamente. Na avaliação da relação circunferência da cintura/quadril, verificou-se que 94,9% (n=37) (G1) e 72,0% (n=18) (G2) não apresentaram risco elevado (p=0,022). Conclusão: O grupo de detentas com maior faixa etária, idade acima de 30 anos, apresentou valores maiores de média da circunferência de cintura, todavia não apresentando risco elevado (relação circunferência da cintura/quadril), apesar do alto consumo de alimentos não saudáveis.

Palavras-chave


Prisões; Mulheres; Atenção à Saúde; Promoção da Saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2019.8994

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