Educação e modernidade: uma contribuição às discussões sobre o mal-estar

Maria Luisa de Aguiar Amorim

Resumo


Este estudo busca contribuir nas discussões sobre o mal-estar. Tomamos como eixo os fundamentos econômicos, sociológicos, políticos e filosóficos que forjaram a moderna sociedade. E procedemos agrupando as análises em torno de três histórias: o mito de Robinson Crusoe, a figura histórica de Benjamin Franklin e a Fábula das Abelhas, de Mandeville. Na primeira, analisamos o individualismo, a solidão e o abandono a que estamos expostos.Destacamos o utilitarismo e a concepção de vida prática, apoiada num espírito capaz de enfrentar adversidades, num esforço infatigável diante do trabalho, numa indômita resolução e paciência invencível. Além de Ian Watt, que toma uma obra alegórica para caraterizar o individualismo, tomamos Rousseau e Marx, que ajudaram a popularizá-la e ainda tecemos considerações em Locke, que identifica as bases da legitimação da propriedade privada e funda o liberalismo político. Na segunda, vemos, no homem que se faz por si mesmo, o modelo da personalidade moderna. Weber nos ajuda a observar a filosofia da avareza e os motivos éticos religiosos que colaboraram na constituição da sociedade capitalista atual. E ainda: o conceito de profissão, a importância dos especialistas, o racionalismo calculista, a perda dos valores éticos e a maquinização da existência. Na terceira, identificamos como os vícios privados fazem a prosperidade pública. O bem-estar tem um preço: a criação de riquezas se alicerça na ignorância de milhares de trabalhadores dispostos a se entregarem com satisfação e sem descanso ao trabalho duro e sujo que há por fazer. No desdobramento, tomamos, em Smith, a importância da divisão do trabalho para a educação, sua concepção de homem egoísta e interesseiro e suas propostas de educação do homem de negócios e das pessoas comuns, ambas voltadas para o adestramento para as profissões. A ausência de ideais e de sentido do dever para si mesmo e o outro nos conduz em ao reconhecimento de uma tragédia ética moderna; e nos aponta o horizonte de Aristóteles como inspiração para resgatar nossa humanidade perdida. Palavras-chave: Individualismo, egoísmo, solidão, utilitarísmo e desumanização.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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