Psicose e Estabilização: Caso Arthur Bispo do Rosário

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v22i1.e11759

Palavras-chave:

psicose, delírio, estabilização, Arthur Bispo do Rosário

Resumo

O presente artigo discorre sobre a forma como o sujeito psicótico produz respostas à invasão do real impossível de suportar, fazendo do contato com a loucura uma produção inventiva. A partir do campo teórico psicanalítico construído por Freud e Lacan, iniciamos a discussão sobre o mecanismo das psicoses, a singularidade e especificidade da fala dos psicóticos, marcando o delírio em sua lógica. E avançamos destacando como a produção de objetos pode ser um dos caminhos de estabilização na clínica das psicoses. Por meio de revisão bibliográfica e documental sobre um caso clínico específico, apresentamos a saída inventiva de Arthur Bispo do Rosário, o qual, obedecendo à injunção delirante “Está na hora de você reconstruir o mundo”, produziu inúmeros objetos, o que permitiu constituir uma condição mínima de agente frente à vivência psicótica.

Biografia do Autor

Rayanne Bárbara Santos Carneiro de Almeida, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

Psicóloga pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), especialista em Fundamentos Teóricos da Psicanálise e suas Especificidades Clínicas pela Faculdade Visconde de Cairu, técnica no Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE).

Suely Aires Pontes, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Psicanalista, doutora em filosofia, docente do Instituto de Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), membro do Colégio de Psicanálise e do Centro de Pesquisa Outrarte: psicanálise entre ciência e arte.

Referências

Agamben, G. (2007). Édipo e a Esfinge. In G. Agamben, Estâncias: A palavra e o fantasma na cultura ocidental (pp.217-224). Belo Horizonte: UFMG.

Birman, J. (2017). A voz de Deus e as mãos de Bispo. Arte e loucura na escrita pictórica de Arthur Bispo do Rosário. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 20(4), 786-805.

Corpas, F. D. S., & Vieira, M. A. (2012). Bispo do Rosario e a representação dos materiais existentes na Terra. Tempo psicanalítico, 44(2), 405-422.

Freud, S. (2010). Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“O caso Schereber”), artigos sobre técnicas e outros textos. São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1911)

Freud, S. (1996a). Além do princípio de prazer. In S. Freud. Além do Princípio do Prazer, Psicologia de Grupo e outros trabalhos (1856-1939):Obras completas (Vol XVIII, pp. 17-75, E. A. M. Souza, Trad.). Rio de Janeiro. Imago. (Trabalho original publicado em 1920)

Freud, S. (1996b). A perda da realidade na neurose e na psicose. In S. Freud, O ego e o id. Obras Completas (Vol XIX, p. 205-239). Rio de Janeiro. Imago. (Trabalho original publicado em 1924)

Gil, G. (1982). Metáfora. Um Banda Um. Rio de Janeiro: WEA Discos.

Guerra, A. (2007). A estabilização psicótica na perspectiva borromeana: Criação e suplência. Dissertação de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ.

Hidalgo, L. (1996). Arthur Bispo do Rosário: O senhor do labirinto. Rio de Janeiro: Rocco.

Lacan, J. (1977). Abertura da sessão clínica. Tradução. Revista Traço Freudiano, 1-11.

Lacan, J. (1988). O Seminário livro 3, As psicoses (1955-56). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1992). Seminário 17: O Avesso da Psicanálise (1969-70). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (1998a). A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. In J. Lacan. Escritos (1957) (pp. 496-533). Rio de Janeiro: Zahar.

Lacan, J. (1998b). De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose. In J. Lacan. Escritos (1958) (pp. 537-590). Rio de Janeiro: Zahar.

Lacan, J. (1999). Seminário 5: As Formações do Inconsciente (1957/1958). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (2005). Seminário 10: A Angústia (1962-63). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Lacan, J. (2008). Seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964) (2a ed.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

Meireles, C. (1994). Reinvenção. Vaga música: Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.

Miller, J. A. (1995). A invenção do delírio. Opção lacaniana online, 5, 1-25.

Miller, J. A. (1996). Produzir o sujeito? In J. A. Miller. Matemas I (pp. 155-161). Campo Freudiano no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Quinet, A. (2006). Teoria e clínica da psicose (3a. ed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Roudinesco, E., & Plon, M. (1998). Dicionário de psicanálise (1944). Rio de Janeiro: Zahar.

Saussure, F. (1995). Curso de linguística geral (1916). São Paulo: Cultrix.

Schreber, D. P. (1995). Memórias de um Doente dos Nervos (1903). Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Seligmann-Silva, M. (2007). Arthur Bispo do Rosário: A arte de “enlouquecer” os signos. Artefilosofia, (3), 144-155.

Downloads

Publicado

29.04.2022

Edição

Seção

Estudos Teóricos