O gozo extático do expectador de uma cena perversa

Luís Flávio Couto, Paulo Roberto Ceccarelli

Resumo


A questão do gozo extático, ponto nodal e traumático de alguém que se vê confrontado a uma cena perversa, merece uma atenção particular. Trata-se de um estado provocado pelo desencadeamento, em um sujeito, de uma certa experiência real acompanhada de paralisia motora carregada de susto que deixa esse alguém perplexo e fascinado frente à visão de uma cena perversa da qual não é capaz de desvencilhar-se facilmente. Procura-se, nesta pesquisa, estabelecer os elementos de comparação entre este o ponto de gozo do estado extático e a experiência infantil de um ponto nela despertado pelo outro. Nesse sentido, trabalha-se com a hipótese de um ‘saber como se goza’ do perverso. Ou seja, com hipótese de que o perverso é capaz de detectar o tipo de ação que produz, no outro que a vê, o horror. E disso ele se ocupa para gozar. O perverso detém o saber de como despertar esse ponto extático que deixa o outro totalmente desamparado e entorpecido. Para o perverso, que goza do horror produzido, esse provocar reforça a sua sensação de nada haver que o limite, jogando-o, cada vez mais, na sensação de tudo poder. Nesse sentido, pode-se dizer que o sujeito se encontra subjugado ao outro, certamente repetindo uma experiência arcaica do encontro com a alteridade. Não se trata de ‘estático’ (statique), ‘parado’, mas de um termo para descrever um limite mortal, que não deixa de guardar semelhança com a palavra ‘êxtase’ (extase) da qual deriva. Palavras chave: Psicanálise; Lacan; gozo estático; perverso; real

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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