As faces do trauma na contemporaneidade:a dialética do dizível e do indizível notranstorno do pânico, uma lacuna nahistória

Jacqueline de Oliveira Moreira

Resumo


No presente trabalho, pretendemos refletir sobre a questão do desamparo e do trauma presentes no transtorno do pânico, sobre a vinculação dessa forma de adoecer com os traumas pósmodernos, e pesquisar a falência traumática do ego em historicizar a vida do sujeito panicado. O mundo moderno não oferece ao sujeito formas eficazes de contornar a condição estrutural de desamparo, criando um ambiente propício ao aumento de casos de transtorno do pânico. A situação de desamparo pode ser atualizada na vida de um sujeito, quando este se depara com a perda de um ideal que funcionaria como referencial organizador de sua estrutura psíquica. A perda desse ideal organizador produz um enlouquecimento da cadência pulsional e, frente ao grande perigo interno, o aparelho psíquico, numa tentativa de defesa, projeta o perigo para o mundo externo na forma de pânico. O ego será o agente dessa projeção, pois é o primeiro anteparo contra a angústia. Assim, o transtorno do pânico é uma tentativa patológica do psiquismo de lidar com o enlouquecimento produzido pela perda do ideal. Nossa hipótese é a de que nesse trabalho o ego perde sua capacidade de retecer a história do sujeito que se refere à relação com a instância ideal. O ego narcísico-imaginário tenta historicizar o início imprevisível, mas o ataque de angústia fragiliza essa instância, criando uma lacuna na história do sujeito. Assim, concordamos com Fédida, quando este revela que o psicanalista cuida do eros doente pelo excesso, a palavra transferencial oferece a escuta e a nominação desse afeto, possibilitando um novo destino para este último (afeto). Idéia que defendemos em um caso clínico ao final do texto. Palavras-chave: pânico, pós-modernidade, trauma, ego, história

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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