Melancolia como herança no filme Cidadão Kane

Liliane Seide Froemming, Márcia Regina Ribeiro

Resumo


O texto propõe um estudo, com base na teoria Psicanalítica, sobre o filme Cidadão Kane, de Orson Welles, abordando alguns aspectos em relação à melancolia. Trata-se de considerar algumas partes do contexto fílmico (roteiro, música, montagem), assim como a biografia do autor e contexto social, como dispositivos que dão um certo relevo à idéia da impossibilidade de se fazer um luto pela perda de um objeto amado. Para além da sintomatologia clássica referida à melancolia, a ênfase é dada no processo da perda descrito por Freud em seu texto Luto e Melancolia de (1917 [1915]). O filme nos faz refletir sobre o quanto o que se herda pode estar paradoxalmente referido a uma perda. O personagem Kane, na sua infância, herda uma fortuna ao mesmo tempo em que perde o convívio com os pais; assim, o que ele não leva de sua casa (o trenó Rosebud) é o que o acompanha pelo resto da vida, enquanto significante, vinculado ao abandono. A montagem, um dos aspectos da análise fílmica, é mais detalhadamente analisada por ser considerada pelo próprio Welles como o elemento principal da obra de arte cinematográfica. Outra proposição que se apresenta, neste artigo, é a idéia de que também a montagem, neste filme, pode ser pensada como produtora de um efeito melancólico. Palavras-chave: Cidadão Kane, montagem, psicanálise, melancolia, significante.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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