Considerações a respeito da concepção de religião nos textos freudianos “O futuro de uma ilusão” e “O mal-estar na cultura”

Wilson Camilo Chaves, Rita Helena Gonçalves Nani

Resumo


Este artigo visa elucidar a concepção de religião nos textos freudianos O Futuro de uma Ilusão, de 1927, e O Mal-Estar na Cultura, de 1929-30. Este trabalho se justifica uma vez que se tornou lugar comum a premissa de que para Freud a religião não passa de uma ilusão, próxima ao adjetivo “ópio” que lhe deu Karl Marx. O homem se torna psiquicamente dependente de suas crenças de tal maneira que não consegue suportar a vida sem ter em sua base uma religião. Freud, em O Futuro de uma Ilusão afirma que as religiões são ilusões na medida em que se originam do desejo humano. Como são ilusões e não constituem objeto das ciências, não oferecem margem para questionamentos a respeito de sua autenticidade. Já no texto O Mal-Estar na Cultura tenta compreender a origem do sentimento oceânico, inerente à religiosidade. Elabora a hipótese de ser uma extensão do sentimento primário do eu. Para este autor, o sentimento religioso é expressão de uma necessidade intensa, que poderia ser uma “reedição” do sentimento de desamparo infantil. Ou seja, seria a reedição da necessidade de proteção de um pai vivida na infância, de uma proteção contra um poder superior do destino. Conclui-se que, em ambos os textos freudianos, a religião é uma das expressões do desejo humano, daí seu caráter ilusório. Sua força está no fato de que é fonte de necessidade intensa de uma busca pelo Pai, reeditando a condição de desamparo infantil. Palavras-chave: religião, teoria freudiana, reedição do desamparo infantil, ilusão, Psicanálise.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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