Os embriões congelados: da falta ao excesso

Simone Perelson

Resumo


O objetivo do artigo é abordar aquilo que as novas tecnologias reprodutivas – com a separação por elas operada entre sexo e reprodução – trazem de inédito para o campo da filiação. Para isso, em primeiro lugar, serão diferenciadas, as montagens de filiação propostas por essas tecnologias das soluções encontradas em algumas sociedades tradicionais para contornar o problema da esterilidade. Será sustentado que, diferentemente das últimas, que se baseiam em uniões legitimadas pelo social, as primeiras se fundamentam na ficção da existência do ato sexual fecundo. Em seguida, serão analisados alguns aspectos da relação entre mercado, sexualidade e reprodução no contexto das chamadas “reproduções artificiais”, e mais particularmente naquele das questões referentes ao congelamento dos chamados “embriões excedentes”. Para isso, será, em primeiro lugar, apresentado o elo entre as evoluções sociais no campo da família e da sexualidade e os avanços científicos no campo da reprodução, e, em segundo lugar, descrito o processo pelo qual passa um casal durante o tratamento para infertilidade. Enfim, se buscará compreender a circulação destes embriões à luz da noção de “potlatch” analisada por Marcel Mauss, Georges Bataille e Jacques Lacan. Aqui, se destacará a presença, no próprio seio da lógica mercantil e do domínio/controle daquilo que se produz, de uma outra lógica: aquela que gira em torno do desperdício de um excedente. Palavras-chave: reprodução, sexo, embriões congelados, filiação, excesso.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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