Os Caminhos da Feminilidade em Preciosidade, de Clarice Lispector

Maria Sílvia Antunes Furtado

Resumo


Um diálogo entre a Psicanálise e a Literatura – que toma como ponto de partida a leitura do conto Preciosidade, de Clarice Lispector – permite, dentre outras possibilidades, a abordagem do tema da feminilidade. O campo do sexual, para a Psicanálise é desnaturalizado. A feminilidade não é natural, ela não está atrelada ao gênero, não tem disposição etiológica. Ela vem a ser constituída a partir de um caminho singular, pela via da identificação, que ocorre a partir da vivência infantil inconsciente do complexo de Édipo-castração, cuja dissolução marca a estrutura psíquica do sujeito para o resto de sua vida, na medida em que dela resulta uma instância de lei psíquica denominada de superego. A partir das marcas deixadas por essa vivência inconsciente, o sujeito irá responder às suas questões de um determinado lugar e de uma posição subjetiva singular. Alguns conceitos psicanalíticos, segundo as concepções de Freud e Lacan, serão abordados no trabalho, a fim de subsidiar o diálogo entre o campo literário e o psicanalítico. Dos interstícios da leitura do conto Preciosidade serão ressaltadas passagens literárias específicas que abordam, ficcionalmente, aspectos da subjetividade feminina. A constituição da feminilidade é permeada por impasses, perdas e desdobramentos, diante dos quais a protagonista se vê convocada, para aceder a uma posição feminina. Palavras-chave: Psicanálise. Literatura. Subjetividade. Feminilidade. Clarice Lispector.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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